A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) deflagrou, nessa sexta-feira, 1º, a Operação Dissimulare, em combate a crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa que eram cometidos em território cearense. O trabalho ofensivo desestruturou um esquema de compra de mercadoria têxtil com sonegação de impostos, o que chegou a refletir em um prejuízo de mais de R$ 300 milhões aos cofres públicos. Ao todo, 13 mandados de prisão e 37 de busca e apreensão foram cumpridos e cerca de dois milhões de reais em dinheiro, já contabilizados, foram apreendidos. A ofensiva foi organizada pelo Departamento de Polícia Especializada (DPE) da PCCE, com o apoio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), e contou com a atuação de 160 policiais civis, dentre eles 40 delegados, de várias delegacias especializadas.
A operação Dissimulare é resultado de investigações iniciadas pela Delegacia de Crimes Contra a Administração e Finanças Públicas (DCCAFP), há pouco mais de um ano, sobre as ações ilícitas de pessoas que compravam produtos do ramo têxtil sem o pagamento dos devidos impostos. De acordo com os levantamentos policiais, estima-se que os suspeitos realizaram uma movimentação financeira em um período de quatro anos que ultrapassa a cifra de R$ 1 bilhão sem o recolhimento de impostos, o que causou prejuízo de mais de R$ 300 milhões aos cofres públicos. O resultado da primeira fase da operação foi apresentado em coletiva de imprensa pelo secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa; secretário da Fazenda (Sefaz), Mauro Filho; e os delegados Everardo Silva, delegado geral da PCCE; Marcus Rattacaso, delegado geral adjunto; Rena Gomes, diretora do DPE; e Márcio Gutierrez, titular da DCCAFP.
Os levantamentos apontaram que os investigados se utilizavam de empresas de fachada constituídas por sócios “laranjas”, criadas para adquirir os produtos em outros estados e, em seguida, repassá-los a empresas ligadas ao esquema. “Só de ‘laranja’ nós catalogamos mais de 100”, fala Gutierrez. Os desdobramentos sobre a teia criminosa levaram os policiais aos envolvidos e às suas respectivas participações no delito.
Os 13 mandados de prisão foram cumpridos contra o núcleo da organização criminosa: Marcus Venicius Rocha Silva (54), que é o presidente do SindConfecções Ceará, Francisco de Assis Neto (50), Maria Soraia de Almeida (27), Suzi Cardoso Lima (34), Daniel Rocha de Sousa (43), Bruno Rafael Pereira Carvalho (34), José Orlando Rodrigues de Sena (49), Mirtes Coutinho Carvalho (59), Natalia de Souza Costa (28), Thamara Almada do Nascimento (26), Antonio Batista da Silva (45), Paulo Sérgio Coutinho de Almada (50) e Antonio Alves Brasil (52). Entre os presos estão empresários e contadores e os dois últimos são auditores da Secretaria da Fazenda (Sefaz). Alguns deles já possuem passagem pela Polícia.
Os 37 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em empresas, residências, no prédio do sindicado de confecções do Ceará e em outros locais. Os imóveis estão situados em bairros como Centro, Aldeota e Meireles. Nos locais alvos da operação, os agentes de segurança apreenderam diversas mercadorias como veículos, joias, cerca de dois milhões de reais em dinheiro, além de outros valores que estão sendo contabilizados, tecidos avaliados em mais de R$ 100 milhões e aparelhos eletrônicos, entre outros produtos. A Polícia Civil também representou pela indisponibilidade dos bens e bloqueio de contas bancárias dos investigados. Ainda de acordo com o delegado que está à frente das apurações, Márcio Gutierrez, os trabalhos policiais continuam e outras fases da Dissimulare serão deflagradas.
Outros suspeitos seguem foragidos, entre eles, o chefe do bando: Jovilson Coutinho Carvalho, com dois mandados de prisão em aberto, que começou a atuar no mundo do crime em atividades de roubo de carga e criou essa sistemática criminosa; e Carlos Andre Maia Sousa e Francisco José Timbo Farias, que atuavam como uns dos operadores do esquema. “É questão de honra pra Polícia Civil e para as Secretarias da Segurança Pública e da Fazenda a prisão do Jovilson”, frisa Márcio Gutierrez.
Caso alguém tenha informações sobre o paradeiro dos suspeitos, denúncias podem ser feitas para o disque denúncia da SSPDS, pelo número 181, ou para a Delegacia de Crimes Contra a Administração e Finanças Públicas (DCCAFP), pelos números 3472.6687 e 3272.6831. O sigilo é garantido.
Repórter Ceará
