Com o título “Deixe Jesus adentrar na sua festa de Natal”, eis a crônica do Membro da Academia Quixadaense de Letras, João Eudes Costa, referente ao tempo natalino. Confira:
Há séculos a data de 25 de dezembro, quando comemoramos o nascimento de Jesus, sofre contestação, talvez pelo fato de o evangelho não indicar dia nem mês do Natal de Cristo.
Registros enciclopédicos informam que a data de 25 de dezembro foi fixada a fim de cristianizar grandes festas pagãs, que celebravam o nascimento do “Vitorioso Sol” no tradicional culto solar. O objetivo era oferecer sacrifício e suplicar pelo retorno da luz, porque as noites, naquela época do ano, eram mais longas e muito frias.
Passaram então a comemorar o nascimento de Jesus em 25 de dezembro no calendário Juliano e em 06 de janeiro no egípcio, porque, neste dia, celebrava-se o aniversário do “Sol Invencível”. Era tal a importância da estrela solar, que, em 274, o imperador Aureliano proclamou o “Deus do Sol” como padroeiro do Império.
Todas as divergências tornam-se insignificantes se, a 25 de dezembro ou em outra qualquer data, tivermos o propósito de comemorar o nascimento de Jesus imbuídos do verdadeiro espírito cristão.
O Natal que se aproxima, com certeza, não será diferente dos anteriores. Pouco a pouco o importante evento da cristandade está voltando às comemorações milenárias das festas pagãs, quando não era o Cristo o centro das festividades.
Como comemorar o verdadeiro Natal de Jesus, se o aniversariante está cada vez mais ausente das festividades? Como festejar o natalício de alguém se não permitimos a sua presença? Não será porque a sua humildade conflita com a opulência do seleto evento? O teólogo grego Orígenes, no ano de 245, já repudiava a maneira de se comemorar o nascimento de Cristo com as pompas de um Faraó.
O Natal que agrada Jesus deve ser um encontro de confraternização, onde não se faça restrições de qualquer espécie. Como, então, alegrar o aniversariante que foi exemplo de humildade, fechando as portas, impedindo a participação dos pobres, excluídos pela impossibilidade de cooperar com os altos custos do evento e sem recursos para oferecer um presente para enfeitar as ricas árvores de Natal? Como alegrar Jesus se esbanjamos em fartas mesas alimento cujo desperdício daria para saciar a fome de muitas famílias?
Com que direito os oradores, na noite de Natal, em seus eloqüentes discursos, confessam-se emocionados com a angústia da Sagrada Família, que não encontrou nenhuma porta aberta que acolhesse Maria portando, no ventre, o Salvador do mundo, se agora, as portas fechadas impedem a entrada de Jesus em Sua festa?
A troca de presentes entre os que festejam o Natal, não rememora a atitude dos astrólogos do Oriente, que levaram presente ao Deus Menino a quem queriam homenagear, pois não trocaram presentes entre si.
Será que nas comemorações natalinas alguém se lembra de oferecer presente ao aniversariante? Não é preciso que seja valiosa joia de ouro ou prata e sim coisas simples, embora de grande valor para Jesus, que sorri ao receber corações que, em todos os dias do ano, praticaram a oração da caridade, conjugando o verbo amar e acolheram com afeto os pobres e desamparados.
Não magoamos as chagas de Cristo comemorando o Seu aniversário numa festa entre irmãos, porque Ele constatará que não foi em vão o seu sacrifício, oferecendo a própria vida para nos livrar da impura ambição, da repudiada vingança e do desamor que acende, no mundo, a fogueira da maldade, que fomenta as sangrentas lutas fratricidas.
Neste natal, numa verdadeira festa de fraternidade, vamos convidar Jesus, o aniversariante, para cantar, ao nosso lado, A NOITE FELIZ da confraternização e do amor.
João Eudes Costa
Membro da Academia Quixadaense de Letras
Repórter Ceará
