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Um ano de nada

Com o título “Um ano de nada”, eis o artigo do jornalista Cláudio Teran sobre a desenvoltura das gestões municipais cearenses neste ano de 2017. Confira:

O eleitor que vive no interior vem tomando uma sábia decisão. Não está reelegendo prefeitos. Isso acontece porque o desgaste vem rápido, mas eles não enxergam por três razões básicas: incompetência; atraso; e despreparo. Em 2016 uma leva de novatos (e velhas novidades) derrotou vários projetos de reeleição. O recado foi claro. Apesar da pressão insuportável que o eleitor interiorano sofre, votou sem medo. E contra. Mas quem disse que a alternância de poder está funcionando? Os prefeitos que assumiram em janeiro de 2016 fecharam um ano de nada! Saíram de campanhas eleitorais irresponsáveis, prometeram muito e se comprometeram demais. Ao assumir encontraram prefeituras endividadas, é verdade. Mas já sabiam e deveriam estar preparados. Não foi o que aconteceu.

Viceja um tremendo amadorismo nas prefeituras. Secretários incapazes; máquina pública inchada; vereadores mandando e desmandando na administração com seus indicados sem fim; centralismo excessivo. E desorganização inconcebível para os tempos atuais. Faltam médicos; remédios e insumos nos hospitais e postos de saúde. A limpeza e a conservação urbana são deficientes. A educação não avança e não são poucas as cidades em que os 200 dias letivos obrigatórios foram descumpridos. E tem atrasos de salários e roubalheira também. E prefeito novato que perdeu até o prazo de inscrição ao Seguro Safra! Faltam planos e metas de curto; médio e longo prazos; cumprir as promessas e fazer o que precisa ser feito. Entrevistar prefeitos dá no mesmo. Eles culpam o antecessor (que por isso não foi reeleito, né?), mas em todos os municípios o problema político das nomeações sem fim foi resolvido no dia seguinte à posse! Licitações viciadas e programadas para beneficiar esse ou aquele também foram ajeitadas. E a administração de qualidade, que daria visibilidade ao prefeito e justificaria a escolha do eleitor? Que se lixe. A mentalidade é esta e por isso um ano inteiro foi perdido.

Envelhecidos como as lideranças de sempre por trás deles, os “novos” prefeitos já estão quase tão desgastados quanto os ex-gestores que derrotaram em 2016. Ainda é possível reverter, mas é preciso frear a politicagem e focar na gestão, mudar as coisas, reconhecer a insatisfação do povo e transformar as cidades para torna-las melhores. Cada vez mais crítico e exigente, o eleitorado já compreendeu que o município lhe pertence e que reeleição só se o prefeito fizer realmente por onde.

Cláudio Teran

Repórter Ceará

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