O pré-candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes, não descarta a possibilidade de aliança entre seu partido e o Partido dos Trabalhadores (PT). Porém, o presidenciável acredita que isso só aconteça no segundo turno. A declaração surge após comentários de Ciro relacionado ao PT, afirmando que “era mais fácil um boi voar do que o PT apoiar alguém”.
Nessa quinta-feira, 1º, o ex-governador iniciou as visitas (que já haviam sido anunciadas anteriormente) a municípios do Cariri, a fim de levar sua imagem para todas partes do Brasil. A caravana, chamada “Rumo 12”, é marcada por encontros políticos nas cidades onde passa.
Voltando ao assunto das eleições, Ciro ressaltou que “tem muita gente tentando produzir uma intriga. O que é fato é que eu e o Lula estivemos juntos, apesar das nossas diferenças ao longo dos últimos 16 anos. Acho natural que o PT tenha candidato, assim como acho natural que eles compreendam que o PDT queira ter sua própria proposta”. A declaração foi proferida em visita ao Horto do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte.
“Eu tenho certeza de que vamos trabalhar e vamos nos encontrar no segundo turno”, completou.
Em entrevista à Folha de São Paulo, publicada ontem, o ex-presidente Lula disse não entender por que ele “fala tão mal do PT”. “O Ciro ou vai para a direita ou não pode brigar com o PT”, afirmou o petista. Ciro respondeu: “Nesse momento ele tem que falar coisas que agradam o seu público interno. O que é fato é que, com todas as nossas diferenças, nós trabalhamos juntos”.
A opinião é partilhada pelo ex-governador Cid Gomes (PDT), pré-candidato ao Senado e que também participa da caravana dos pedetistas. “No segundo turno, tenho a mais absoluta certeza que, como foi nos últimos 16 anos, nós estaremos juntos”, disse.
Na avaliação do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, que foi ministro do governo Dilma Rousseff, a aliança com o PT é “estratégica e fundamental” em uma campanha como a de Ciro, mas “dizer que não estando com o PT não ganha eleição é exagero”. “O PT não é o dono do pensamento de esquerda”, rebateu.
Sobre a pré-campanha de Ciro, o presidente do partido acrescentou que é de interesse da sigla realizar caravanas com o pré-candidato em todos os estados brasileiros, mas é emblemático que o início ocorra no Nordeste.
Em Caririaçu, primeiro local de parada da caravana, Ciro foi recebido pela Câmara Municipal repleta de pessoas. Chegou carregado nos ombros e ouviu de todos os que usaram a palavra antes dele o vocativo “presidente”.
Entre movimentos do lenço para enxugar suor e lágrimas, o pré-candidato disse que “não era hora” de lançar candidatura, o que deve ocorrer em julho.
No entanto, não se furtou de fazer críticas ao que considera desajustado no País, do desemprego ao elevado número de assassinatos. A fala principal se concentrou, sobretudo, na segurança pública, tema que deve dominar a campanha e que é tomada como bandeira do presidente Michel Temer (MDB) após a impopularidade das reformas. Nas falas, Ciro citou o número de 64.700 assassinatos no País no ano passado. “Garotos, todos jovens, negros, caboclos e pobres. Não tem um dia que não durmo e acordo pensando nisso”, disse. “Eu não posso me conformar e me aposentar, como era meu interesse em certo momento, vendo o Brasil sendo governado por uma quadrilha de bandidos”, atacou. Quando questionado sobre a possível candidatura de Temer ao cargo que hoje ocupa, Ciro ironizou. Disse que “quanto mais cabra mais cabrito”. “Quero ver o Michel Temer candidato quantos votos ele vai ter nesse Pais”.
Repórter Ceará com O Povo Online
