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Produção leiteira no Ceará vive momento ambíguo

O setor leiteiro é de suma importância para centenas de produtores do interior do Estado que, através deste segmento, movimentam a economia local. No entanto, com as chuvas irregulares deste ano, somadas ao quadro de escassez observado no Ceará desde 2011, muitos produtores tiveram redução de faturamento.

Em uma cidade, porém, o investimento em melhoria genética e manejo adequado do rebanho favoreceram o crescimento da bacia leiteira local. Várzea Alegre, no Centro-Sul do Estado, conseguiu aumentar sua produção de leite nos últimos dez anos, passando de oito mil litros para 20 mil litros/dia.

O trabalho realizado por meio da Associação dos Produtores de Leite (Aprovale), que reúne 60 criadores, tornou-se significativo e vem obtendo destaque na região. No Sítio Chico, zona rural do município, o rebanho se alimenta de capim, pastagem nativa que surgiu com as últimas chuvas. Os animais estão nutridos e bem tratados. Mesmo com inverno irregular, os bovinos têm segurança alimentar no campo.

Queda na produção

Em alguns municípios do Estado, onde as chuvas são escassas e não há ações efetivas, o que se vê é a queda de produção. Desde o ano passado, a agropecuária leiteira tenta uma solução por meio de reivindicações apresentadas aos governos estadual e federal, mas sem resposta efetiva. Representantes da cadeia produtiva do leite voltaram a discutir a crise que se abate sobre o setor na Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec).

“Houve um incentivo para se aumentar a produção, mas não ocorreu um estudo da cadeia produtiva, incluindo os criadores, o setor industrial e o varejo”, alerta o presidente do Sindicato Rural de Quixeramobim e diretor regional da Faec, Cirilo Vidal.

Dentre as reivindicações apresentadas ao Governo do Estado há a necessidade de adoção de uma política fiscal que contemple a revisão da atual pauta dos derivados lácteos importados de outros estados e de outros países, que impactam e concorrem com os produtos locais, como também a isenção total do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do leite e seus derivados produzidos no Estado.

O esforço da comissão mista que discute melhorias para o setor visa implantar um programa de valorização dos produtos cearenses para que haja um aumento do consumo beneficiando o produtor rural, e ainda, promover tecnologias no campo para reduzir custos de produção.

O preço pago ao produtor e os custos de produção são os dois principais entraves. No Ceará, R$ 1,00 é valor médio pago pelo litro de leite, segundo cota estabelecida pelas indústrias, mas o preço pago pelo excesso produzido é de apenas R$ 0,70. O preço médio, no Brasil, pelo litro de leite é de R$ 1,40.

A maior parte do componente da ração para alimentação dos bovinos é o milho, cerca de 60%. Em Mato Grosso, os produtores compram o grão de forma antecipada e pagam apenas R$ 20,00 pela saca de 60kg. No Ceará, a mesma quantidade custa mais de R$ 50,00.

Para Vidal, o setor precisa ser reestruturado. “Se a crise atual persistir, muitos produtores vão sair da atividade”, observa. Segundo ele, os pequenos criadores são os mais atingidos pelos elevados custos de produção.

Uma das ideias debatidas é a possibilidade de produção própria da maior parte do alimento fornecido aos animais. “Precisamos produzir palma forrageira, mandioca e leguminosa em substituição ao milho e à soja, que têm preços elevados”, defende Vidal.

Para isso, é preciso dar mais orientação técnica aos criadores e ao segmento da agricultura familiar a partir da implantação de novas tecnologias de produção. “Temos de produzir de 60% a 70% do que a vaca come”, pontuou Cirilo.

Repórter Ceará com Diário do Nordeste (Foto: Honório Barbosa)

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