O anúncio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), de que a Casa não irá apreciar a Medida Provisória 867, do Código Florestal, pegou o Palácio do Planalto de surpresa. O aviso chegou um dia após os comandantes dos três poderes sorrirem para câmeras, afirmarem harmonia e firmarem um pacto em favor do país. E vem como mais uma dor de cabeça que se junta às já existentes quando se trata de articulação com o Congresso.
A decisão – que como consequência pode acabar com a MP caducando – foi acordada na tarde de quarta, 29, em reunião na residência oficial do Senado com líderes da Casa, da qual também participou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A proposta vence na segunda, dia 3 de junho, e não tem acordo entre ruralistas e defensores do meio ambiente.
O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou na manhã desta quinta-feira, 30, que o governo ainda tem esperanças de reverter a situação. O presidente Jair Bolsonaro decidiu entrar pessoalmente na negociação. Chamou Alcolumbre para uma conversa às 10h no Planalto. O senador, porém, preferiu permancer na convenção de seu partido, DEM, que ocorreu no auditório Nereu Ramos, na Câmara.
Em mais um gesto de boa vontade, Bolsonaro cogitou ir até o Senado para se encontrar com Alcolumbre. A segurança da Casa ficou mobilizada no fim da manhã por cerca de 40 minutos a espera do presidente da República. Davi Alcolumbre, porém, permaneceu no evento do DEM, e Bolsonaro recuou.
Os dois devem se encontrar no fim da tarde desta quinta, por volta de 17h, no Palácio do Planalto, segundo o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. A reunião, porém, não constava na agenda oficial de nenhum dos dois até o fechamento desta reportagem.
A MP do Código Florestal não está entre as prioridades da agenda econômica do governo. Porém, faz parte de acordos feitos, especialmente com ruralistas.
Repórter Ceará – Congresso em Foco



