“Nós, mulheres, temos muito a contribuir com a sociedade”. Essa foi a declaração da prefeita de Boa Viagem, no Sertão Central, Aline Vieira (PL), ao falar sobre a participação das mulheres na política e abordar o machismo. O assunto foi pautado durante entrevista da gestora municipal ao programa Ponto de Vista, da SerTão TV e Canudos FM, nesta segunda-feira, 27.
“Somos profissionais, pessoas que têm acúmulo de experiências capazes de contribuir com a sociedade. E nós somos maioria na sociedade. No entanto, na política, por exemplo, diversas vezes sentei em mesas de reuniões que só havia eu como mulher”, pontuou Aline.
Conforme a prefeita, o machismo, assim como o preconceito racial, é velado. Ou seja, “existe, mas as pessoas não admitem, e como não se admite, não se discute, não se trabalha e não se enfrenta”. Na ocasião, Aline utilizou um exemplo pessoal e relatou: “Ao longo da minha vida pública, passei por várias situações em que as pessoas tentaram me diminuir em função de ser mulher. As críticas vão direcionadas para que sua autoestima vá ficando mais baixa e, a partir disso, você comece a se retrair, não participe do debate e não consiga se manifestar.”
A chefe do Executivo de Boa Viagem lembrou, também, o episódio recente, em que conseguiu, através da Justiça, descobrir o responsável pelas publicações em uma página no Facebook, “de fake news, que seria exclusivamente para macular”, sua imagem.
“Consegui encontrar e era uma pessoa profundamente vinculada ao meu adversário político em Boa Viagem [Fernando Assef]. Ao invés de me chamar para o debate, sobre as questões municipais, ele se ocupava em falar da minha pessoa,” comentou Aline.
A prefeita ainda relatou situações de outras prefeitas, que sentem “expostas, machucadas e desrespeitadas na condição de ser humano” e que, conforme ela, ainda estão refletindo se devem ou não disputar as Eleições Municipais deste ano: “A sua condição de política e administradora deve ser discutida com base no projeto, no trabalho, na implantação das propostas de governo, e não precisam ser pautadas nas maneiras como se veste, se porta ou se fala. Não é por aí que se faz uma política séria.”
“É preciso, cada vez mais, que a gente se manifeste e se una nessa causa. Alguns imaginam que o feminismo é o oposto do machismo. E, na verdade, não é. O que se luta no feminismo é justamente para que se tenham condições iguais, garantidas na Constituição Federal, mas que precisam ser implementadas. Precisam sair do papel e chegar na realidade cotidiana, para que vejamos nossa Constituição ser vivida e não somente lida na televisão”, finalizou Aline.
Repórter Ceará (Foto: Arquivo/SMC)
