O vereador de Fortaleza Júlio Brizzi (PDT) concedeu entrevista ao programa Ponto de Vista, da SerTão TV e Canudos FM, na última quinta-feira, 20, e falou sobre as polêmicas que envolvem a gestão municipal de Fortaleza, que tem a frente José Sarto (PDT), e sobre sua relação com o partido após se posicionar de forma contrária à taxa do lixo.
Para Júlio, o tributo “é um equívoco” da administração municipal, que veio “em um momento inoportuno”.
“A população já pagava pela coleta de lixo há 20 anos nesse formato, com uma empresa terceirizada, através dos tributos municipais. Todo ano se pagava e a coleta era feita. E o prefeito Sarto, por decisão dele, já que não foi obrigatório, decidiu criar a taxa para cobrar outra vez pela mesma coisa que o povo aqui já pagava”, destacou o parlamentar.
O vereador ainda ressaltou que não considera inteligente que Sarto rivalize com o governador Elmano de Freitas (PT). A declaração foi dada em resposta a um questionamento sobre como o parlamentar vê críticas do prefeito ao gestor estadual em relação ao ICMS, ao comparar o imposto com a taxa do lixo.
“Não acho inteligente o prefeito da capital, no modelo federativo que depende muito dos governos estadual e federal, colocando essa questão tentando rivalizar com o governador do Estado. Não acho inteligente provocar o governador que nem se manifestou sobre a taxa do lixo. Ele [Sarto] está procurando briga.”
Júlio Brizzi, vereador de Fortaleza
Custos políticos
Júlio e a vereadora Enfermeira Ana Paula se posicionaram contra a taxa do lixo e têm se manifestado contrários a algumas pautas da gestão municipal que chegam na Câmara de Fortaleza. Por conta disso, os dois foram vetados do diretório municipal da legenda da capital cearense. O parlamentar destacou que isso “é uma perseguição desmedida, que deixa o partido mais desunido, que enfraquece o PDT e que isola mais ainda o prefeito”.
“Nos 15 anos que eu estou no PDT, participei de todas as executivas e diretórios do partido. Sou muito grato por isso. Mas nessa convenção especificamente, existiu uma reunião para dizer que todos os 10 vereadores participariam do diretório. Seria uma convenção com todo mundo representado. Na noite anterior à convenção eu recebi uma ligação dizendo que eu e a vereadora Enfermeira Ana Paula tínhamos sido vetados do diretório. Isso me deixa triste”.
“Infelizmente a gente sabe que tem várias maneiras de fazer política. Talvez exista um choque geracional. Tem algumas pessoas que são de uma política mais antiga, que pensam que não se pode ter opinião, divergir, que não estão dispostas a ouvir quem diverge […] Infelizmente algumas pessoas não conseguem conviver com isso e preferem fazer a política da perseguição, da ameaça, de tentar ver os outros que divergem como inimigos, e isso tem um custo. Quem está na Prefeitura tem muita força, e eu sou só um vereador que tem bandeiras e ideias, que tenta fazer com que as pessoas que me colocaram aqui possam ser representadas.”
Aproximação do prefeito com o PL e setores bolsonaristas
Para Júlio, a aproximação de Sarto com o PL e com setores bolsonaristas não representa uma “mudança de rota da gestão”, pois já é algo observado desde o início do mandato do pedetista. Tamanha aproximação tem sido evidenciada nos últimos tempos com nomeações de bolsonaristas para cargos na gestão municipal. O vereador diz “não entender” esse movimento.
“Desde que a gestão começou em 2021 há esse aceno, essa aproximação. Muitas pessoas que apoiaram o Capitão Wagner, por exemplo [em 2020] e foram contra o Sarto na eleição, já em 2021 assumiram secretarias, coordenações e participam da gestão em funções importantes, e isso foi se ampliando de lá pra cá, feito de forma não oficial. E agora meio que isso está sendo oficializado com a entrada do PL na base, dito pelos próprios membros do partido […] Confesso que não consigo entender esse movimento político”, enfatizou.
Confira a entrevista completa:
Repórter Ceará (Foto: CMFor)




