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Quase metade das crianças brasileiras apresenta ansiedade ligada ao uso de telas, aponta pesquisa

Dado faz parte do estudo chamado 120 dias depois do viral do Felca: o retrato da Adultização no Brasil, que ouviu mil e oitocentos pais ou responsáveis sobre o comportamento digital dos filhos.

Foto: Divulgação

Uma pesquisa nacional acendeu um alerta importante para famílias, escolas e profissionais de saúde: 46% das crianças e adolescentes brasileiros apresentam sinais de ansiedade, irritabilidade ou dificuldade de concentração associados ao uso excessivo de telas, como celulares, tablets e redes sociais. O dado faz parte do estudo chamado 120 dias depois do viral do Felca: o retrato da Adultização no Brasil, que ouviu mil e oitocentos pais ou responsáveis sobre o comportamento digital dos filhos.

O levantamento destacou que o uso de dispositivos eletrônicos entre crianças e adolescentes é cada vez mais precoce e intenso. Entre os entrevistados, setenta e sete por cento afirmaram que seus filhos já possuem um celular próprio, enquanto setenta e três por cento disseram que as crianças e adolescentes mantêm contas ativas em redes sociais, muitas vezes antes da idade recomendada. Entre jovens de treze a dezoito anos, esse número sobe para noventa e um por cento. A pesquisa também mostrou que até mesmo crianças com menos de sete anos já estão inseridas no ambiente digital, consumindo conteúdos e navegando pelas redes.

Os pesquisadores alertam para as consequências diretas desse comportamento no desenvolvimento emocional e cognitivo dos mais jovens. Estudos internacionais indicam que longos períodos diante das telas podem estar relacionados ao aumento de ansiedade, sintomas depressivos, dificuldades de atenção e mudanças no comportamento. Outras análises mostram ainda impactos na linguagem e na socialização, principalmente quando o uso não é equilibrado com outras atividades essenciais ao desenvolvimento infantil.

Além dos efeitos na saúde mental, o ambiente digital traz outros riscos. O estudo revelou que oito por cento das crianças e adolescentes relataram episódios de assédio ou abuso digital, número que praticamente dobra entre meninas de treze a quinze anos. A pesquisa também apontou que trinta e cinco por cento dos jovens publicam conteúdos nas redes sociais sem qualquer supervisão dos pais, o que aumenta a vulnerabilidade a situações de exposição indevida, golpes e interações perigosas.

Para os especialistas, o cenário exige atenção redobrada de responsáveis e educadores. A supervisão ativa e a definição de limites claros para o uso de telas são consideradas estratégias fundamentais. Também é importante incentivar atividades que estimulem criatividade, convivência social, prática esportiva e aprendizagem fora do ambiente digital. Pais e mães aparecem na pesquisa como os principais responsáveis por promover um uso mais seguro das tecnologias, apontados por oitenta e dois por cento dos entrevistados.

Cada vez mais presente na rotina das famílias, a tecnologia pode ser uma ferramenta positiva quando usada de forma equilibrada. No entanto, os dados do estudo reforçam que o excesso e a falta de supervisão podem trazer consequências sérias para o bem estar e o desenvolvimento das crianças. Para especialistas e organizações de saúde, encontrar esse equilíbrio é o grande desafio dos próximos anos.

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