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Terceirizados da UFC suspendem atividades em protesto contra falta de pagamento

Envolvendo entre 600 e 650 pessoas, os funcionários recorreram ao protesto contra o atraso no pagamento do salário de dezembro e de benefícios como vale-alimentação, vale-transporte e cesta básica

Foto: Divulgação/UFC

Foi iniciada, na manhã desta segunda-feira, 12, pelos trabalhadores terceirizados que prestam serviços à Universidade Federal do Ceará (UFC), uma paralisação das atividades nos três campi da instituição em Fortaleza. As informações são do O Povo.

Envolvendo entre 600 e 650 pessoas, os funcionários recorreram ao protesto contra o atraso no pagamento do salário de dezembro e de benefícios como vale-alimentação, vale-transporte e cesta básica.

A atitude dos trabalhadores atinge diretamente o funcionamento da universidade. Segundo o Sindicato dos Empregados em Asseio e Conservação do Estado do Ceará (Seaconce), não há previsão para o encerramento do movimento. Os trabalhadores também afirmaram que só retornarão às atividades quando todos os valores em atraso forem pagos.

Conforme o integrante da diretoria do Seaconce e representante da categoria, Josenias Gomes, os trabalhadores são vinculados principalmente à empresa LDS, além das empresas Solução e Florart, todas responsáveis por serviços terceirizados na UFC.

“A ampla maioria dos trabalhadores é da empresa LDS, mas também temos trabalhadores da Solução e da Florart. No caso da Solução, foi pago apenas o valor da alimentação na última sexta-feira, mas ainda há pendências de salário e cesta básica. Já as outras empresas devem a totalidade dos benefícios e o salário”, afirmou Josenias.

A paralisação foi iniciada após uma tentativa frustrada de negociação com a administração da universidade. De acordo com o sindicalista, na última sexta-feira, 9, ocorreu uma reunião com Renato Guerreiro, superintendente de infraestrutura da UFC, na qual o sindicato propôs a implementação de um revezamento para diminuir os prejuízos.

“O sindicato propôs liberar todos os trabalhadores no sábado e, na segunda-feira, manter apenas 30% em atividade. Inicialmente houve concordância, mas no final do dia de sexta-feira a proposta foi negada. Diante disso, não restou alternativa senão a paralisação.”

“Nos três campi de Fortaleza e também no interior, como em Crateús, os trabalhadores estão parados”, destacou Josenias Gomes.

Segundo o sindicato, os atrasos salariais não são pontuais. O presidente da Seaconce afirma que a problemática é antiga, desde quando os funcionários ainda eram vinculados à empresa Criart, do mesmo grupo econômico da LDS.

“Em 2025, só naquele ano, foram cerca de seis atrasos de salário. Agora, em 2026, o que está em atraso ainda é o salário de dezembro. É uma situação recorrente”, denunciou.

O Seaconce informou que está recolhendo documentação dos trabalhadores para ingressar com ações judiciais contra as empresas, além da paralisação.

“Estamos cobrando multa por atraso de salário, alimentação e cesta básica, além de tentar a rescisão indireta, já que há uma tendência clara de descumprimento da convenção coletiva”, afirmou o dirigente.

De acordo com o sindicato, os pagamentos atrasados deveriam ser efetuados entre esta segunda e terça-feira. Caso não ocorra, a paralisação será mantida por tempo indeterminado.

“A expectativa é que o dinheiro saia até amanhã, mas, se não acontecer, a paralisação continua”, reforçou Josenias.

Nota da UFC

Em nota oficial, a UFC reconheceu que algumas empresas prestadoras de serviços têm enfrentado dificuldades para cumprir suas obrigações, o que resultou em atrasos no pagamento de salários e benefícios a trabalhadores terceirizados.

Segundo a instituição, o problema se agravou pelas restrições orçamentárias e financeiras típicas do início do ano, decorrentes de ajustes burocráticos necessários na transição entre exercícios financeiros.

A UFC afirmou estar acompanhando de perto a situação e adotando medidas administrativas para regularizar os pagamentos o quanto antes.

A universidade destacou ainda que se trata de um cenário temporário, cuja solução depende da normalização do repasse de recursos pelo Ministério da Educação (MEC). A expectativa é que, nos próximos dias, sejam regularizados os empenhos e pagamentos pendentes.

Apesar das reivindicações dos trabalhadores, a paralisação foi suspensa após reunião realizada na manhã da última sexta-feira, 9, entre a Superintendência de Infraestrutura da UFC (UFC Infra) e representantes dos terceirizados.

Por fim, a instituição reafirmou seu compromisso com a responsabilidade administrativa, a transparência e o cumprimento das obrigações assumidas, mantendo diálogo constante com as empresas contratadas e os colaboradores até a completa normalização da situação.

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