O município de Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, deu início à vacinação-piloto com a primeira vacina contra a dengue aplicada em dose única no Brasil. Desenvolvido pelo Instituto Butantan, o imunizante começa a ser testado em larga escala na cidade cearense, que integra um grupo seleto de municípios escolhidos para avaliar a efetividade da nova tecnologia.
Nesta etapa inicial, Maranguape receberá 60,1 mil doses da vacina, quantidade suficiente para a imunização em massa da população-alvo, formada por moradores com idade entre 15 e 59 anos. Ao todo, 204,1 mil doses estão sendo distribuídas também para Nova Lima (MG) e Botucatu (SP), onde a vacinação tem início neste domingo, 18.
Os resultados da imunização em Maranguape serão acompanhados ao longo de um ano. O monitoramento contará com apoio de especialistas, que irão avaliar a incidência da dengue no município e observar possíveis efeitos adversos raros após a aplicação da vacina. A metodologia já foi utilizada anteriormente em Botucatu, durante a análise da efetividade da vacinação contra a covid-19.
Durante o lançamento da vacinação em Maranguape, o ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, explicou que a escolha dos municípios levou em consideração critérios técnicos. Segundo ele, foram selecionadas cidades com população entre 100 mil e 200 mil habitantes e com rede de saúde estruturada, capazes de implementar a vacinação e mensurar o impacto da imunização tanto na população quanto na circulação do vírus.
Massuda destacou ainda que o imunizante representa um avanço importante no combate à dengue por ser aplicado em dose única, o que permite uma resposta mais rápida e amplia a efetividade das campanhas de vacinação.
De acordo com os estudos clínicos, a vacina apresentou eficácia global de 74%, com redução de 91% nos casos graves da doença. Entre os participantes vacinados durante os testes, não houve registros de hospitalização por dengue.
Caso os resultados da fase-piloto sejam positivos, o Instituto Butantan dará início à produção em larga escala para atender todo o país. Até o momento, já foram fabricadas 1,3 milhão de doses. Antes da ampliação para a população em geral, está prevista a vacinação de grupos prioritários, como profissionais da atenção primária à saúde, médicos, enfermeiros e agentes comunitários, a partir do início de fevereiro, utilizando cerca de 1,1 milhão de doses remanescentes desta fase.
Segundo o Ministério da Saúde, com a transferência de tecnologia firmada entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a vacinação será gradualmente expandida para todo o Brasil, começando pela população de 59 anos e avançando até o público de 15 anos. A expectativa é que a capacidade de produção seja ampliada em até 30 vezes.
O desenvolvimento da vacina levou cerca de 20 anos e contou com a colaboração de diversos centros de pesquisa nacionais e apoio de pesquisadores internacionais. O projeto recebeu investimentos que somam R$ 305,5 milhões, incluindo financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
