O curta-metragem de animação “Rozário Negro” terá seu lançamento oficial em duas exibições no Sertão Central cearense, nos dias 29 e 30 de janeiro, passando pelas cidades de Quixadá e Quixeramobim. A obra propõe um mergulho profundo nas raízes históricas da região, articulando memória, território e ancestralidade negra a partir do realismo fantástico.
A primeira exibição acontece no dia 29 de janeiro, às 16h30, na Casa de Saberes Cego Aderaldo, em Quixadá. Já no dia 30, o filme será apresentado em Quixeramobim, às 19h, na Casa de Antônio Conselheiro. As sessões contam com acessibilidade, incluindo legendagem em LSE e audiodescrição, seguidas de roda de conversa com a equipe realizadora.
Ambientado na antiga Vila de Campo Maior, no ano de 1837, o curta acompanha a noite da Coroação dos Reis, celebração tradicional em que a população negra da cidade organizava um cortejo que saía da Serra de Santa Maria até a Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Durante algumas horas, o ritual promovia uma inversão simbólica da ordem social vigente, revelando tensões e significados profundos daquele contexto histórico.
No centro da narrativa está Fuisset, personagem inspirado em relatos reais de Quixeramobim. Marcado por um segredo perigoso, ele carrega uma promessa de liberdade que transforma a celebração em um ponto de ruptura, conferindo ao rito contornos de insurreição. A história se constrói a partir do entrelaçamento entre pesquisa histórica e realismo fantástico, ampliando as camadas simbólicas do enredo.
Com direção de Marcela Simão, roteiro de Kinaya Black, animação de Allan França e desenho de som de Alan Avelino, “Rosário Negro” ultrapassa o formato de uma animação convencional. O projeto se afirma como uma investigação visual sobre os processos históricos que contribuíram para a formação da população negra do Sertão Central cearense, valorizando narrativas muitas vezes silenciadas.
A produção é assinada pelos estúdios Carcará Estúdio e No Corre Produção, com apoio institucional do Instituto Dragão do Mar, das Casas de Saberes Cego Aderaldo e Antônio Conselheiro, além do Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura. O projeto é financiado com recursos da Lei Paulo Gustavo, do Ministério da Cultura, do Governo Federal.
