Entre um bloco e outro de carnaval, celebrando nossa cultura popular, acompanhei a Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial, realizada em Nova Délhi. Pode soar improvável juntar frevo e algoritmo, mas não é: cultura e tecnologia são formas distintas de afirmar identidade e disputar o futuro.
Mais de cem países debateram governança, regulação e impactos econômicos da IA. A Índia se apresentou como liderança do Sul Global e anunciou investimentos pesados em infraestrutura digital e data centers. Estratégia de Estado, não modismo.
O Brasil foi representado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendeu governança multilateral, regulação das grandes plataformas e inclusão digital como condição para que a inteligência artificial seja instrumento de desenvolvimento, e não concentração de poder.
Não houve tratado vinculante. Mas ficou claro: a corrida tecnológica já faz tempo que começou. E ela redefine economias e soberanias.
IA não é tema distante. É emprego, educação, inovação e autonomia nacional. País que apenas consome tecnologia aceita dependência. País que investe em formação, pesquisa, ciência e infraestrutura digital constrói protagonismo.
Na era da inteligência artificial, não basta seguir o trio. É preciso organizar a estratégia.
Acrísio Sena
Presidente do Centec




