O arquiteto pernambucano Zé Vágner, de 33 anos, emocionou-se ao contar para a mãe sobre sua conquista no Building of the Year 2026, promovido pelo ArchDaily, na categoria Casas. A residência premiada fica em Feira Nova, cidade do interior de Pernambuco, e pertence à própria mãe do arquiteto. Construída nos anos 1980 por moradores locais, passou por uma ampla reforma em 2025. As informações são do O GLOBO.
Em entrevista ao GLOBO, Vágner disse ainda estar assimilando a vitória em uma premiação tão disputada. Ele explicou que, normalmente, os projetos são avaliados pela curadoria antes de serem publicados, mas, nesse caso, o próprio site entrou em contato solicitando a inscrição da obra.
Para o arquiteto, ver uma casa de uma cidade com cerca de 20 mil habitantes ser reconhecida internacionalmente foi marcante. Ele acredita que o resultado pode estimular reflexões sobre a arquitetura brasileira, que, segundo ele, sofre de padronização excessiva. “A boa arquitetura é aquela que nasce das especificidades locais, do clima e dos materiais disponíveis”, defendeu.
A casa reformada
A reforma surgiu da necessidade de melhorar as condições de saúde da mãe, Marinalva, costureira de 59 anos, que enfrentava problemas respiratórios. A antiga construção apresentava diversas falhas estruturais. “Era uma típica casa latina, feita aos poucos, cômodo por cômodo, sem integração. Nosso objetivo foi dar unidade e trazer conforto ambiental”, explicou.
O projeto manteve as paredes originais de adobe, que ajudam no controle térmico, mas renovou fachada e áreas sociais. Uma das principais mudanças foi o aumento do pé-direito em parte da casa, criando desnível no telhado e favorecendo a ventilação por meio de cobogós na fachada oeste. Os anexos construídos ao longo dos anos foram demolidos para dar lugar a uma sala de estar, jardim interno e terraço aberto.
Trajetória
Nascido e criado na casa, Vágner se mudou para Recife para estudar arquitetura na UFPE. Ao retornar, aplicou os conhecimentos adquiridos na graduação para transformar o imóvel da família. “A ideia era aproveitar o que já existia, otimizar os espaços e aplicar conceitos de ventilação cruzada e iluminação natural para garantir salubridade e conforto”, concluiu.




