Home Saúde Estudo aponta avanço acelerado do câncer de intestino entre brasileiros mais jovens

Estudo aponta avanço acelerado do câncer de intestino entre brasileiros mais jovens

Foram avaliados mais de 5.500 diagnósticos entre 2000 e 2023. O grupo de 30 a 39 anos apresentou crescimento médio anual de 8,5%, enquanto pessoas com menos de 50 anos tiveram aumento de 7,6%

Foto: Panuwat Dangsungnoen/GettyImages

Um levantamento conduzido pelo A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo, revelou que os casos de câncer colorretal vêm aumentando de forma consistente no país nas últimas duas décadas, especialmente entre adultos jovens.

Foram avaliados mais de 5.500 diagnósticos entre 2000 e 2023. O grupo de 30 a 39 anos apresentou crescimento médio anual de 8,5%, enquanto pessoas com menos de 50 anos tiveram aumento de 7,6%. Já entre os pacientes com 50 anos ou mais, o índice foi de 8,1%.

Esse cenário contrasta com o observado em países desenvolvidos, onde programas de rastreamento consolidados têm reduzido a incidência em faixas etárias mais altas. Para o cirurgião oncológico Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência em Tumores Colorretais do A.C. Camargo, os dados reforçam que a doença não pode mais ser vista como exclusiva da população idosa: “É um alerta para médicos e para a sociedade sobre a necessidade de prevenção.”

A discussão ganhou força após a morte de figuras públicas como a cantora Preta Gil, em 2025, aos 50 anos, e o ator James Van Der Beek, em 2026, aos 48 anos, ambos vítimas do câncer colorretal.

No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), cerca de 65% dos casos atendidos pelo SUS ainda são descobertos em estágio avançado. O presidente da entidade, Olival de Oliveira Júnior, destaca que exames simples, como o teste de sangue oculto nas fezes (FIT), podem ampliar a detecção precoce e reduzir custos: “Colonoscopia deve ser indicada apenas para quem realmente precisa.”

Apesar da alta incidência, os pacientes mais jovens apresentam maior taxa de sobrevida em cinco anos (72,7%) em comparação aos mais velhos (64,1%). No entanto, o estágio da doença no momento do diagnóstico continua sendo decisivo: nos estágios iniciais, a sobrevida chega a 84,4%, enquanto em fases avançadas cai para 52,7%.

A campanha Março Azul, organizada por entidades médicas, busca ampliar a conscientização e incentivar o rastreamento. Neste ano, a mobilização inclui um mutirão em Seabra (BA), com 8 mil testes FIT e previsão de 500 colonoscopias até o início de março.

Entre os sinais que merecem atenção estão alterações persistentes no hábito intestinal, presença de sangue nas fezes, dor abdominal prolongada, perda de peso sem causa aparente e anemia. Especialistas defendem que políticas públicas devem priorizar o diagnóstico precoce e ampliar o acesso ao tratamento, especialmente para adultos jovens que antes não eram foco das estratégias de prevenção.

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