Uma entrevista concedida à BBC News Brasil pelo publicitário Paulo de Tarso da Cunha Santos, que já atuou como marqueteiro em campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, voltou a movimentar o debate nacional sobre estratégias de comunicação política e disputa de narrativas no país.
Na análise apresentada ao veículo internacional, o estrategista afirmou que o senador Flávio Bolsonaro, do PL, tem conseguido construir uma comunicação voltada para temas que dialogam com o futuro, enquanto o Partido dos Trabalhadores ainda estaria fortemente associado a discursos que enfatizam conquistas de governos passados.
A avaliação, segundo o publicitário, não se limita a uma crítica partidária, mas reflete uma mudança mais ampla na forma como lideranças políticas se comunicam com o eleitorado em um ambiente cada vez mais influenciado pelas redes sociais e pela velocidade da circulação de informações.
De acordo com ele, o cenário político atual exige narrativas capazes de projetar expectativas e propostas para o futuro. Temas como inovação, economia digital e novos modelos de gestão pública tendem a ganhar maior repercussão entre os eleitores do que discursos baseados apenas na memória de realizações anteriores.
Especialistas em marketing político observam que essa transformação está diretamente ligada ao impacto das plataformas digitais na política contemporânea. Nas redes sociais, campanhas e lideranças disputam atenção em um ambiente altamente competitivo, onde mensagens simples, diretas e simbólicas costumam ter maior alcance e capacidade de mobilização.
Nesse contexto, slogans, gestos e expressões passaram a desempenhar papel central na comunicação política. Um exemplo recente foi o slogan “Faz o L”, associado à campanha presidencial de Lula em 2022, que acabou se transformando em um dos principais símbolos de disputa política nas redes sociais entre apoiadores e críticos.
Analistas apontam que esses elementos funcionam como verdadeiros “atalhos narrativos”, capazes de condensar ideias políticas complexas em frases curtas, gestos ou memes que se espalham rapidamente no ambiente digital.
A análise apresentada na entrevista à BBC também aponta para uma tendência que pode marcar os próximos ciclos eleitorais no Brasil: a disputa entre narrativas baseadas na memória de governos passados e discursos que buscam projetar expectativas para o futuro.
De um lado, partidos que governaram o país em diferentes períodos tendem a reforçar suas realizações históricas e experiências administrativas. De outro, novas lideranças procuram se apresentar como portadoras de propostas voltadas à modernização econômica, segurança pública e transformação tecnológica.
Para especialistas, essa disputa de narrativas deve ganhar ainda mais força à medida que o Brasil se aproxima de novos processos eleitorais. Em um ambiente político marcado por polarização e fragmentação informativa, a comunicação estratégica se torna um dos fatores mais determinantes na formação da opinião pública.
Nesse cenário, o sucesso de uma liderança política depende não apenas da consistência de suas propostas, mas também da capacidade de transformar essas ideias em narrativas que dialoguem com os anseios da sociedade. A entrevista publicada pela BBC reforça justamente essa percepção: na política contemporânea, a batalha pelo futuro do país passa, cada vez mais, pelo domínio da comunicação e da construção de narrativas capazes de mobilizar o eleitorado.




