A Meta, controladora do Facebook e do WhatsApp, avalia uma nova rodada de cortes que pode eliminar até um quinto de sua força de trabalho, segundo informações obtidas pela Reuters junto a três pessoas próximas às discussões.
O movimento estaria ligado ao esforço da companhia em reduzir despesas diante dos altos investimentos em infraestrutura de Inteligência Artificial (IA) e, ao mesmo tempo, preparar terreno para ganhos de produtividade com equipes apoiadas por sistemas de IA.
De acordo com as fontes, ainda não há definição sobre quando os desligamentos ocorreriam nem sobre o número exato de funcionários afetados. Executivos seniores já teriam sinalizado a outros líderes internos que se organizem para possíveis reduções, mas falaram sob anonimato por não terem autorização para comentar publicamente.
Questionado pela Reuters, o porta-voz Andy Stone classificou o assunto como “especulações sobre abordagens teóricas.”
Caso se confirme a eliminação de cerca de 20% do quadro, seria o maior corte desde a reestruturação feita entre o fim de 2022 e o início de 2023, período que a empresa chamou de “ano da eficiência”. Na virada de 2023, a Meta contava com aproximadamente 79 mil empregados. Em novembro de 2022, já havia dispensado 11 mil pessoas, e poucos meses depois anunciou mais 10 mil demissões.
Nos últimos meses, Mark Zuckerberg tem intensificado a pressão para que a Meta avance de forma agressiva na área de inteligência artificial generativa. Para isso, a companhia vem oferecendo pacotes milionários a pesquisadores de ponta e planeja investir cerca de US$ 600 bilhões em data centers até 2028. Recentemente, adquiriu a Moltbook, uma rede social voltada a agentes de IA, e desembolsou pelo menos US$ 2 bilhões na compra da startup chinesa Manus.
Zuckerberg tem defendido que esses investimentos já começam a trazer ganhos de eficiência, citando casos em que projetos antes realizados por grandes equipes agora são conduzidos por uma única pessoa altamente qualificada.
A possível decisão da Meta acompanha um movimento mais amplo no setor de tecnologia nos Estados Unidos. A Amazon anunciou em janeiro a redução de 16 mil postos, enquanto a Block, de Jack Dorsey, cortou quase metade de seus funcionários, ambos justificando as mudanças pelo avanço das ferramentas de IA.
Apesar da aposta pesada, a Meta enfrenta desafios. O modelo Llama 4 recebeu críticas em 2024 por supostos resultados enganosos em testes, e o lançamento da versão Behemoth foi cancelado. A equipe de superinteligência trabalha agora em um novo sistema, chamado Avocado, que também não atingiu o desempenho esperado.
