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Operação Traditori: como operava o esquema entre facção criminosa e vereadores em Morada Nova

Segundo decisão da 93ª Zona Eleitoral de Fortaleza, o esquema era composto por três núcleos interligados, comando da facção, operadores financeiros e agentes políticos

Foto: Reprodução/Google Maps

A Polícia Federal deflagrou, nessa quinta-feira, 12, a Operação Traditori em Morada Nova, no Vale do Jaguaribe, que revelou indícios de envolvimento da facção Guardiões do Estado (GDE) no financiamento ilícito de campanhas eleitorais para a eleição de 2024. As informações são do PontoPoder, do Diário do Nordeste.

Segundo decisão da 93ª Zona Eleitoral de Fortaleza, o esquema era composto por três núcleos interligados, comando da facção, operadores financeiros e agentes políticos, e resultou na prisão de 16 pessoas e no cumprimento de 30 mandados de busca e apreensão.

Entre os presos, estão cinco vereadores do município:

  • Hilmar Sérgio (PT) – presidente da Câmara;
  • Gleide Rabelo (PT) – secretária da Mesa Diretora;
  • Régis Rumão (PP) – vereador;
  • Júnior do Dedé (PSB) – vereador licenciado e secretário de Administração;
  • Cláudio Maroca (PT) – vereador.

A investigação aponta um esquema “amplo e estruturado” de lavagem de dinheiro, com recursos oriundos do tráfico de drogas e armas, aplicados em campanhas eleitorais por meio de empréstimos e pagamentos em espécie. Em troca, haveria contrapartidas políticas, como a nomeação de membros da facção em cargos públicos.

Defesa dos acusados

As manifestações das defesas ocorreram de forma distinta. A equipe jurídica de Hilmar Sérgio declarou que o parlamentar foi surpreendido pela operação e negou qualquer vínculo com o crime organizado. Já a vereadora Gleide Rabelo afirmou sua “total inocência” e destacou estar disposta a colaborar com as investigações para esclarecer os fatos. As defesas dos demais vereadores citados na operação não foram localizadas até o momento.

Estrutura do esquema

O esquema criminoso descoberto pela investigação estava organizado em três núcleos que funcionavam de forma integrada. O primeiro era o comando da facção, responsável por arrecadar os recursos ilícitos, principalmente oriundos do tráfico de drogas e armas. Em seguida, atuava o núcleo financeiro-operacional, encarregado de dar aparência legal ao dinheiro por meio de empresas de fachada, contas em nome de terceiros e transações imobiliárias. Por fim, havia o núcleo político, formado por candidatos e agentes públicos que recebiam esses valores para financiar suas campanhas eleitorais e, em contrapartida, estabeleciam relações de dependência com a facção, oferecendo benefícios e reciprocidade.

Relatórios apontam movimentações milionárias, incluindo um intermediário que teria circulado mais de R$ 6 milhões.

Outros investigados

O ex-candidato a prefeito Marco Bica (PT), então titular da Sohidra, foi alvo de diligências, mas não chegou a ser preso. Ele pediu afastamento do cargo para “preservar a instituição” e se colocou à disposição da Justiça. A prisão preventiva foi negada, mas a investigação segue sobre sua relação com integrantes da facção.

Desdobramentos políticos

Além das prisões, a Justiça determinou o afastamento cautelar dos cinco vereadores por 180 dias e o sequestro de bens e ativos financeiros.

A Câmara Municipal suspendeu os trabalhos no dia da operação, sem comentar o caso. A Prefeitura informou não ter ligação com os fatos.

O posicionamento dos partidos diante da operação foi distinto. O PT Ceará informou que ainda não recebeu notificação oficial sobre o caso e, portanto, não se manifestou de forma detalhada. Já o PSB Ceará declarou que encaminhará a situação ao diretório municipal, responsável por avaliar se houve infração ética por parte dos filiados. A sigla ressaltou que cabe exclusivamente à Justiça julgar os envolvidos, enquanto ao partido compete apurar a conduta interna de seus membros.

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