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Memória da imprensa: um projeto de museu para guardar vozes e rostos que fizeram história

A morte de um comunicador como Carlos Augusto nos leva a uma reflexão profunda sobre a efemeridade da memória e a importância de preservarmos o legado daqueles que dedicaram suas vidas a informar, entreter e, sobretudo, fazer companhia ao público

Foto: Divulgação

É com pesar que recebemos a notícia do falecimento do colega radialista Carlos Augusto, o “Amigão”, aos 60 anos. Sua partida representa uma perda inestimável para o rádio cearense e para todos que tiveram o privilégio de ouvir sua voz marcante que atravessou gerações.

Natural de Mossoró (RN), Carlos Augusto construiu uma trajetória brilhante no Ceará, especialmente na década de 1990, passando por emissoras como Rádio O Povo AM e Rádio Verdes Mares AM, onde comandou o programa “Show da Manhã”. Sua atuação também se estendeu à TV Diário e à Rádio Difusora de Mossoró, consolidando-se como uma das vozes mais queridas e reconhecidas do nosso estado.

A morte de um comunicador como Carlos Augusto nos leva a uma reflexão profunda sobre a efemeridade da memória e a importância de preservarmos o legado daqueles que dedicaram suas vidas a informar, entreter e, sobretudo, fazer companhia ao público. Durante décadas, radialistas como ele preencheram a solidão de milhares de pessoas que, diariamente, sintonizavam seus rádios em casa, no trabalho ou no carro. Foram vozes presentes nos momentos alegres e tristes, trazendo informação, boa música e emoção ao cotidiano da sociedade.

No entanto, é doloroso observar como muitos desses profissionais, que marcaram época e fizeram parte da história das nossas emissoras, acabam caindo no esquecimento após sua partida. Nomes como Paulinho Rocha, Irapuã Lima, Wil Nogueira, Paulo Lima Verde, Ênio Carlos, Ribamar Lima, Auremir Filho, Franco Lima, Luiz Silva e tantos outros não podem simplesmente desaparecer da memória coletiva. Eles são parte fundamental da nossa identidade cultural e merecem ter seus feitos registrados para que as futuras gerações possam conhecer aqueles que foram a voz e a imagem de uma época.

Sugestão para a preservação da memória do rádio e da TV cearense

Diante dessa constatação, sugerimos uma ação conjunta e institucional entre o Sindicato dos Radialistas e Publicitários do Estado do Ceará (SINDRADIOCE) e o Sindicato dos Jornalistas do Ceará (SINDJOCE) para a criação de um Museu da Imagem e do Som do Rádio e da TV Cearense, que poderia ser estruturado em formato físico, digital ou híbrido.

A proposta consiste na elaboração de um projeto cultural que vise reunir, preservar e expor o rico acervo histórico da comunicação no nosso estado. Este museu poderia contar com objetos emblemáticos como microfones antigos, máquinas de escrever, gravadores, rádios de época, fotografias, documentos e, principalmente, um arquivo digital com gravações de programas e depoimentos que eternizem as vozes e a imagem desses profissionais.

Para viabilizar financeiramente o projeto, uma excelente alternativa seria buscar recursos por meio da Lei Rouanet, o principal mecanismo de incentivo fiscal à cultura no Brasil. Criada em 1991, a lei permite que empresas e pessoas físicas destinem parte do imposto de renda para financiar projetos culturais. Recentemente, a publicação da Instrução Normativa MinC nº 23/2025 atualizou a regulamentação para apresentação e execução desses projetos, o que reforça a oportunidade e a viabilidade de se buscar esse caminho.

Um espaço como este não seria apenas uma homenagem justa e perfeita a nomes como Carlos Augusto, mas também um instrumento pedagógico e cultural de valor inestimável. Seria um local para preservar a história e impedir que aqueles que dedicaram suas vidas à comunicação e à companhia de gerações inteiras caiam no esquecimento. Que a partida de mais um grande comunicador nos una em torno dessa causa, para que o silêncio não apague a voz daqueles que tanto fizeram pela nossa sociedade.

“Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado.” (Roberto Shinyashiki)

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