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Escola do interior de Quixeramobim alcança maior avanço em Matemática no Spaece no Ceará

Segundo a diretora Celita Castelo, o resultado foi fruto de mudanças na postura de professores e alunos, valorização do protagonismo estudantil e acompanhamento constante da aprendizagem

Foto: Reprodução/Facebook

A Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Guilherme Correia Lima, localizada em Belém, distrito de Quixeramobim, no Sertão Central, conquistou o maior avanço da rede estadual do Ceará em Matemática na avaliação do Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará (Spaece). As informações são do Quixeramobim Agora.

Segundo a diretora Celita Castelo, o resultado foi fruto de mudanças na postura de professores e alunos, valorização do protagonismo estudantil e acompanhamento constante da aprendizagem, com avaliações frequentes e apoio individualizado.

O ex-aluno Anderson da Silva destacou que assumir responsabilidades dentro da escola, como monitor de leitura e presidente do grêmio, fortaleceu sua confiança e liderança. Ele também ressaltou o esforço coletivo de alunos e docentes, que se dedicaram a simulados e atividades extras para melhorar o desempenho.

Entre os desafios enfrentados, a gestão apontou baixa autoestima, infrequência e descrença na disciplina. Para superar, foram criados grupos de recomposição da aprendizagem, uso pedagógico dos dados e monitoramento contínuo da frequência e dos resultados.

O trabalho coletivo e a confiança mútua foram considerados pilares da conquista, mostrando que escolas da zona rural também podem alcançar excelência acadêmica.

Em um contexto em que muitos estudantes têm dificuldades históricas com a disciplina, como a escola conseguiu transformar a relação dos alunos com a Matemática?

Celita: “Engajar o grupo na discussão sobre matemática, os desafios que eles tinham e onde a escola precisava chegar. A primeira foi mudança de postura de docentes e discentes diante da situação que estava posta e era real. Nas reuniões deixamos claro que acreditávamos no que eles diziam e faziam em prol da recomposição da aprendizagem, valorizávamos suas produções e resultados deles por menor que fosse.”

Em algum momento você já desacreditou do seu próprio potencial? O que te fez continuar mesmo diante das dificuldades?

Anderson: “No meu caso, houve um momento em que pensei em desistir da Escola Guilherme. As dificuldades pareciam maiores do que a minha capacidade de continuar. No entanto, com o apoio fundamental da professora Cleidivana, coordenadora do projeto Sou + Terceirão, e do diretor de turma Lucas, não permitiram que eu desistisse. Eles acreditaram em mim quando eu mesmo já não acreditava. Hoje, sou profundamente grato por não ter desistido e por todo o apoio que recebi nessa caminhada.”

Quais foram os maiores desafios enfrentados ao longo desse processo de evolução e como a gestão lidou com eles?

Celita: “O trabalho coletivo na escola é absolutamente fundamental para a constância no trabalho que se está realizando, tivemos muitos entraves. Baixa autoestima de alguns estudantes; Descrença na aprendizagem da disciplina; Sistematização da própria prática; Observar a participação dos alunos no grupo de recomposição das aprendizagens, para ter elementos mais concretos para dialogar no atendimento individualizado; Problemas de infrequências e disciplinares; Avançar mais onde era possível. Os desafios são enormes, com certeza o avanço não aconteceu por práticas isoladas, foi preciso um esforço decidido e qualificado para construir um projeto coletivo, capaz de fazer “emergir” as habilidades, competências e metas individuais e coletivas.”

A Matemática costuma ser vista como um desafio por muitos estudantes. O que mudou na sua forma de enxergar a disciplina ao longo do tempo?

Anderson: “Com técnicas diferenciadas e estratégias que facilitam a aprendizagem, ele [professor de Matemática Tassiano Batista] tornou o conteúdo mais acessível e dinâmico. Além disso, trabalhava conteúdos voltados não apenas para as avaliações escolares, mas também para provas como SPAECE, SAEB, concursos e ENEM, ampliando ainda mais nosso conhecimento. Como resultado, os alunos passaram a se interessar mais pela Matemática, demonstrando maior engajamento, muitos, inclusive, chegavam à sala de aula antes mesmo do professor, motivados para aprender.”

Em um cenário educacional muitas vezes marcado por desigualdades, o que essa conquista diz sobre o potencial das escolas públicas do interior?

Celita: “Queremos alçar voos mais altos, precisamos ter coragem de subverter alógica atual de que alunos do sistema público, baixa renda e da zona rural são incapazes de aprender. Um dos pilares para essa conquista foi um trabalho alicerçado na confiança: A confiança nos homens é a condição prévia indispensável para uma mudança revolucionária (Freire, 1990:60). A confiança é um fenômeno que se dá no campo do contágio, do encorajamento para superar algo. Ressaltamos a coerência entre aquilo que afirmamos e o que efetivamente realizamos.”

Você acredita que estudar em uma escola pública do interior trouxe mais obstáculos ou mais aprendizados? Por quê?

Anderson: “Acreditamos que estudar em uma escola pública do interior trouxe, ao mesmo tempo, desafios e grandes aprendizados mas, acima de tudo, foi uma experiência transformadora. Estudar na Escola Guilherme Correia, localizada no distrito de Belém, foi algo inovador para todos nós, pois fomos a primeira turma do ensino médio em tempo integral da região. Isso já representava um marco importante e nos colocava como protagonistas de uma nova realidade educacional no distrito.”

Como a senhora enxerga o papel da liderança escolar na transformação de resultados educacionais tão expressivos?

Celita: “Um filósofo dinamarquês Kierkegaard uma vez disse que não tomar uma decisão já é uma decisão, não fazer uma escolha é uma escolha. Não podemos mudar ninguém, pois a única pessoa que se pode mudar é nós mesmos e muitos querem mudar o mundo e as pessoas ao seu redor, mas ninguém quer mudar a si mesmo. Como líderes podemos motivar, fornecer todas as condições, mas são as pessoas que devem fazer as próprias escolhas. Fomos agraciados, pois os apoiamos, incentivamos e eles se tornaram corresponsáveis nesse processo e nessa busca incessante pela aprendizagem. Além disso, as ações concretas de acompanhamento sistemático do desempenho, o uso pedagógico dos dados, apoio constante ao processo pelos coordenadores, gerou altas expectativas em relação a superação dos desafios de aprender não para a prova, mas para a vida. Outro ponto essencial foi o monitoramento, acompanhando de perto a frequência (realização da Busca Ativa coletiva) o engajamento e os resultados das turmas, ajustando estratégias, orientando, apoiando e reconhecendo avanços.”

Qual foi o papel dos professores e da gestão escolar na sua formação, não só acadêmica, mas também pessoal?

Anderson: “Foram profissionais incríveis, que sempre demonstraram compromisso, cuidado e dedicação ao longo de toda a nossa jornada. Destacamos, especialmente, o nosso diretor de turma, Lucas Queiroz, e a coordenadora do projeto Sou+Terceirão, Cleidivana Alves, que estiveram presentes em diversos momentos, nos motivando, apoiando e mostrando que éramos capazes de ir além. Além deles, gestores como Celita Castelo, Adriano Saldanha e a coordenadora Gabriella também marcaram esses três anos ao nosso lado, sempre buscando oferecer o melhor para todos.”

Existe alguma metodologia ou prática pedagógica específica que você considera decisiva para esse salto de desempenho?

Celita: “É preciso incentivar a participação, bem como a manter um vínculo para construir uma vivência democrática. A confiança não vem por decreto, conquista-se com o tempo. A nossa práxis, se deu mais ou menos assim: Compreendemos a realidade da turma; mapeamos os alunos de acordo com os níveis; estabelecemos um plano de ação, a partir tensão entre a realidade (como estávamos) e o desejo (onde queríamos chegar); formar pequenos grupos para a recomposição das aprendizagens, usando o Material Estruturado, Crede/Seduc; Agir de acordo com o planejado; e avaliar a prática dando feedback à turma.”

Existe alguma história ou experiência vivida dentro da escola que marcou profundamente a sua vida?

Anderson: “Uma das experiências que mais marcou profundamente nossa vida dentro da escola foi quando a professora Cleidivana trouxe uma convidada especial para conversar conosco. Ela compartilhou sua trajetória de vida, marcada por muitos desafios, principalmente relacionados à saúde. Mesmo diante das dificuldades causadas pela doença, ela nunca desistiu do seu grande sonho: tornar-se enfermeira. Sua história nos emocionou e, ao mesmo tempo, nos inspirou a acreditar que, independentemente dos obstáculos, é possível alcançar nossos objetivos com persistência e determinação”.

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