A possibilidade de adotar uma tarifa integrada única para ônibus e metrô nos deslocamentos entre Fortaleza e cidades da Região Metropolitana passará por análise técnica após a formalização de um acordo entre a Prefeitura, o Governo do Ceará e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As informações são do Diário do Nordeste.
Assinado na manhã desta quinta-feira, 23, o termo de cooperação prevê a realização de estudos ao longo de 36 meses com foco na integração do sistema de transporte metropolitano. Segundo o presidente da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), George Dantas, já existem levantamentos em estágio avançado que podem viabilizar a unificação tarifária entre os modais urbano e metropolitano.
Ele destaca, no entanto, que a medida exige cautela, sobretudo em relação aos impactos na qualidade do serviço. A preocupação é evitar a superlotação de ônibus e trens com a eventual integração, algo que deverá ser avaliado nos estudos de médio e longo prazo.
Um projeto-piloto voltado a esse objetivo já está praticamente concluído, com cerca de 95% de desenvolvimento, conforme o gestor. A proposta chegou a ser cogitada para lançamento no evento desta quinta, mas foi adiada para permitir ajustes técnicos mais detalhados. A expectativa é que o modelo seja apresentado nos próximos meses.
Por se tratar de uma fase inicial, a implementação não abrangerá todo o sistema de transporte. A ideia é começar com um recorte limitado, envolvendo apenas parte das estações e linhas, funcionando como teste para calibrar a operação e a demanda.
Na avaliação de Dimas Barreira, presidente do Sindiônibus, a integração tarifária é um passo importante para melhorar a mobilidade na Região Metropolitana. Ele lembra que o Bilhete Único Metropolitano (BUM), que hoje garante desconto de R$ 2 na integração, está há uma década sem reajuste, o que indica defasagem diante da inflação acumulada no período. Ainda assim, ressalta que o planejamento precisa garantir que os ônibus continuem desempenhando seu papel complementar ao transporte sobre trilhos.
Além da análise sobre tarifa única, o acordo também contempla a estruturação de um modelo de concessão do transporte público à iniciativa privada e a criação de uma governança integrada para o sistema metropolitano. A proposta inicial concentra esforços na articulação entre Fortaleza e os municípios de Caucaia, Maracanaú, Aquiraz e Eusébio, que formam os principais polos da região.
De acordo com George Dantas, a iniciativa busca padronizar o planejamento da mobilidade urbana na Região Metropolitana, com foco em oferecer mais eficiência, conforto e agilidade, além de estimular o retorno da população ao transporte coletivo.
A superintendente do BNDES, Luciene Machado, destacou que Fortaleza foi escolhida para integrar o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana da instituição, servindo como referência para o novo modelo de concessão dos ônibus municipais previsto para o próximo ano.
Apesar de ter a Capital como ponto de partida, o projeto depende da adesão e articulação dos municípios vizinhos, já que hoje o planejamento do transporte é fragmentado entre diferentes esferas administrativas. A proposta se inspira em experiências internacionais, como a de Barcelona, onde dezenas de cidades operam sob um sistema integrado com tarifa única para diferentes modais.
No entanto, a adaptação desse modelo ao contexto brasileiro envolve desafios, como a diversidade de legislações municipais, a necessidade de compatibilizar cidades que já adotam tarifa zero e a adequação da capacidade do sistema para evitar sobrecarga durante a integração.
