A prisão mais recente de um vereador de Morada Nova, no Vale do Jaguaribe, aumentou para seis o número de parlamentares detidos em 2026 por suspeita de ligação com organizações criminosas. O caso mais novo envolve o vereador José Weder Basílio Rabelo (PP), capturado nesta terça-feira, 5.
A detenção ocorreu durante a Operação Consorte, que investiga o braço financeiro de um grupo criminoso com atuação no Ceará e em Minas Gerais. Segundo as apurações, o esquema seria responsável por movimentar cerca de R$ 500 milhões através de lavagem de dinheiro. A ação mobilizou mais de uma centena de agentes e cumpriu mandados em cidades cearenses e em Belo Horizonte.
Em nota, a defesa do vereador, representada pelo advogado Igor Cesar Rodrigues, afirmou não ter tido acesso à decisão judicial nem aos autos do inquérito, criticando a divulgação de informações sobre o caso antes do conhecimento formal da investigação.
A prisão de José Weder é um desdobramento de uma ofensiva iniciada em março, quando outros cinco vereadores do município foram detidos durante a Operação Traditori, conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará. A investigação aponta que campanhas eleitorais na cidade teriam sido financiadas com recursos provenientes de facção criminosa.
Na ocasião, foram presos os vereadores Hilmar Sérgio Pinto da Cunha (PT), Lucia Gleidevania Rabelo (PT), Claudio Roberto Chaves da Silva (PT), José Regis Nascimento Rumão (PP) e José Gomes da Silva Júnior (PSB).
As investigações seguem em andamento e apuram o possível vínculo entre agentes políticos locais e o financiamento ilícito de campanhas no município do Vale do Jaguaribe.
Operação Consorte
Ao todo, participam da ação 108 policiais, entre civis e federais, organizados em 27 equipes. Foram cumpridos 27 mandados de busca e apreensão e seis de prisão. Além de Fortaleza, as diligências ocorrem em Aquiraz, Jaguaribara e Ibicuitinga, além de Belo Horizonte.
Segundo a Polícia Federal do Brasil, o grupo utilizava um esquema ainda não detalhado para lavar dinheiro oriundo de atividades ilícitas, com ramificações em outros estados. A operação busca interromper esse fluxo e identificar os responsáveis.
