A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, investigada pela Polícia Civil do Maranhão por suspeita de agredir e torturar uma trabalhadora doméstica de 19 anos, grávida de cinco meses, já havia sido condenada anteriormente pela Justiça. Em outubro de 2025, ela foi responsabilizada por calúnia após acusar, sem provas, uma ex-babá de ter furtado um objeto. As informações são do G1 e da TV Mirante.
Naquele caso, a empresária afirmou que a funcionária teria levado uma pulseira de ouro pertencente ao seu filho. A Justiça, no entanto, entendeu que houve falsa imputação de crime. A sentença fixou seis meses de detenção em regime aberto, mas a punição acabou convertida em serviços comunitários, já que ela não tinha antecedentes e a pena foi inferior a um ano.
Procurada para comentar as novas acusações, Carolina declarou, por meio de nota, que está à disposição das autoridades e que apresentará sua versão dos fatos no momento adequado. Também disse repudiar qualquer tipo de violência, especialmente contra mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade, e pediu cautela para evitar conclusões precipitadas antes do fim das investigações.
O processo anterior teve como base o relato de Sandila Souza, ex-babá que trabalhou para a empresária ainda na adolescência. Segundo ela, o episódio teve início em janeiro de 2024, após o desaparecimento da pulseira durante um passeio em um parque aquático. Mesmo sem provas, a jovem afirmou ter sido pressionada a pagar pelo item. Ao se recusar, decidiu deixar o emprego e, conforme relatou, passou a ser acusada formalmente de roubo.
De acordo com o depoimento, a acusação surgiu no momento em que ela deixava a residência com seus pertences. A ex-funcionária sustenta que nunca cometeu o crime e que a denúncia foi uma forma de retaliação. Após sair do trabalho, ela também disse ter recebido um áudio em que era novamente acusada. O pagamento pelos serviços, segundo ela, era feito por meio de contas de terceiros. Além da condenação, a Justiça determinou o pagamento de R$ 4 mil por danos morais, valor que ainda não teria sido quitado.
Mais recentemente, o nome da empresária voltou a ser alvo de investigação após denúncia de agressões contra outra funcionária. A vítima, de 19 anos, relatou ter sido violentamente atacada no dia 17 de abril, na casa onde trabalhava, em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. Grávida de cinco meses, afirmou que tentou proteger o bebê enquanto era agredida.
Segundo o relato, ela foi puxada pelos cabelos, derrubada e atingida com socos e tapas de forma contínua. Mesmo depois de a joia que motivou a suspeita ter sido encontrada dentro da residência, a violência não cessou. A jovem disse que ficou com marcas pelo corpo, embora não tenha sofrido chutes na região abdominal porque conseguiu resguardar a barriga.
Áudios atribuídos à empresária, anexados ao inquérito, registram declarações sobre as agressões. Em uma das gravações, ela relata que as agressões duraram longo período e teriam contado com a participação de um homem, ainda não identificado, que teria ido armado até o local.
Em outro trecho, Carolina afirma que não foi conduzida à delegacia porque um dos policiais que atenderam à ocorrência seria seu conhecido. Segundo o próprio relato, o agente teria reconhecido a gravidade da situação devido aos hematomas da vítima, mas, ainda assim, não houve encaminhamento imediato.
O caso é apurado pela 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy. Até agora, não houve prisão nem indiciamento. A Polícia Civil informou que a empresária responde a diversos processos.
A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil acompanha o caso e informou que está elaborando um relatório sobre as denúncias. Já a Secretaria de Segurança Pública afirmou que ainda não há confirmação oficial sobre as informações divulgadas fora dos canais institucionais e que qualquer denúncia formal será investigada com rigor.
O que diz a empresária
“Diante das publicações e comentários que vêm circulando na imprensa e nas redes sociais a respeito do IPL nº 066/2026 — 21º Distrito Policial do Araçagy/MA, venho me manifestar com serenidade e respeito.
Em primeiro lugar, afirmo que respeito profundamente a atuação das autoridades e que jamais me neguei a colaborar com a apuração dos fatos. Minha defesa já compareceu à delegacia, solicitou acesso aos autos e adotará todas as providências necessárias para que minha versão seja apresentada no momento adequado, de forma responsável e dentro do procedimento legal.
Também registro que repudio qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres, gestantes, trabalhadoras e pessoas em situação de vulnerabilidade. Justamente por reconhecer a gravidade do assunto, entendo que tudo deve ser apurado com seriedade, equilíbrio, provas e respeito ao devido processo legal.
Minha família, incluindo meu marido e meu filho, vem sofrendo ataques e ameaças. Isso não contribui para a verdade, não ajuda a investigação e apenas aumenta o sofrimento de todos os envolvidos.
Requeiro que não haja julgamento antecipado e que o inquérito seja conduzido em observância aos princípios constitucionais. A investigação ainda está em andamento, e a verdade deve ser esclarecida pelas vias legais, jamais por ameaças, ofensas, exposição de familiares ou linchamento virtual.
Seguirei à disposição das autoridades, por meio da minha defesa, confiando que os fatos serão esclarecidos com responsabilidade, respeito, técnica e justiça.
Paço do Lumiar – MA, 05 de maio de 2026.
Carolina Sthela Ferreira dos Anjos”.




