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Animais terapeutas auxiliam na recuperação emocional de pacientes

A chamada Terapia Assistida por Animais vem conquistando espaço em hospitais, clínicas, instituições de acolhimento e centros terapêuticos como uma estratégia complementar de cuidado

Foto: By Jiří Dušek

Por muito tempo, os animais foram associados apenas ao convívio doméstico e à companhia no dia a dia. Atualmente, porém, a medicina e os profissionais da saúde mental passaram a reconhecer um papel ainda mais amplo dessa relação: o impacto positivo que o contato com os animais pode gerar no bem-estar emocional e até no processo de recuperação de pacientes.

A chamada Terapia Assistida por Animais vem conquistando espaço em hospitais, clínicas, instituições de acolhimento e centros terapêuticos como uma estratégia complementar de cuidado. A prática, que geralmente conta com cães treinados, busca estimular aspectos emocionais, reduzir a ansiedade, incentivar a socialização e tornar os atendimentos mais humanizados para pacientes de diferentes faixas etárias.

Nos últimos anos, unidades de saúde passaram a compreender que o estado emocional interfere diretamente na recuperação física. Com isso, projetos envolvendo cães terapeutas se tornaram cada vez mais comuns em ambientes hospitalares. Algumas instituições, inclusive, passaram a permitir a visita de animais de estimação aos pacientes internados, reconhecendo os benefícios afetivos proporcionados por esse vínculo.

Além dos resultados percebidos na rotina hospitalar, estudos brasileiros também vêm apontando efeitos positivos da terapia assistida. Uma revisão sistemática publicada na revista científica Estação Científica analisou pesquisas envolvendo pacientes hospitalizados e identificou melhorias no humor, redução da ansiedade e maior interação entre pacientes e profissionais da saúde.

Outra pesquisa, divulgada pela Revista de Medicina da USP, destacou que a terapia assistida pode gerar benefícios emocionais, cognitivos, físicos e sociais, sendo aplicada em hospitais, instituições de longa permanência para idosos e também no acompanhamento psiquiátrico.

Estudos realizados com idosos institucionalizados também observaram diminuição de sintomas relacionados à ansiedade e depressão, além de aumento da interação social e melhora na qualidade emocional dos participantes. Já entre crianças hospitalizadas, a presença dos cães terapeutas contribuiu para reduzir o medo, facilitar a adaptação ao ambiente hospitalar e fortalecer o vínculo com familiares e equipes médicas.

Entre os projetos voltados para esse tipo de atendimento está o Terapatas, criado pela médica pediatra e nutróloga Carolina Holanda. A iniciativa utiliza cães treinados para promover acolhimento e conforto emocional em ambientes de saúde.

Segundo Carolina, o projeto surgiu a partir de uma experiência pessoal com seus próprios animais de estimação. Ela relata que percebeu como a convivência com os pets ajudava a proporcionar equilíbrio emocional e sensação de bem-estar em momentos difíceis, enxergando ali um potencial terapêutico que poderia beneficiar outras pessoas.

A médica afirma que transformar essa percepção em um projeto foi um processo natural. De acordo com ela, o Terapatas busca oferecer acolhimento, estimular a comunicação, fortalecer vínculos afetivos e contribuir para tornar os cuidados em saúde mais humanizados.

Especialistas ressaltam ainda que a terapia assistida pode ajudar a tornar o ambiente hospitalar menos traumático. A presença dos cães costuma criar uma sensação maior de segurança, além de proporcionar momentos de afeto durante tratamentos considerados delicados.

A psicóloga Kamilla Gurgel destaca que os efeitos são especialmente perceptíveis entre idosos. Segundo ela, o contato com os animais desperta memórias afetivas, reduz sentimentos de tristeza e ansiedade e favorece a socialização, sobretudo entre pessoas institucionalizadas.

Kamilla explica ainda que os animais conseguem acessar emoções que muitos pacientes têm dificuldade de expressar verbalmente, contribuindo para conexões mais espontâneas e para um ambiente terapêutico mais acolhedor.

Mais do que companhia, os animais passaram a ocupar um papel importante no cuidado com a saúde emocional. Em um cenário em que a humanização dos atendimentos ganha cada vez mais relevância dentro da medicina, a terapia assistida reforça que o afeto também pode ser um aliado no processo de recuperação e bem-estar.

Por Dalila Lima; texto publicado no portal O Estado.

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