A disputa entre Priscila Costa e Alcides Fernandes, ambos do PL, pela vaga ao Senado mostra algo que às vezes a política tenta, mas não consegue disfarçar. Partidos, grupos e até famílias políticas funcionam como estruturas de interesse coletivo até o ponto em que projetos individuais entram em rota de colisão.
Embora ambos estejam no mesmo campo ideológico e ligados ao bolsonarismo, o apoio de Michelle Bolsonaro a Priscila e a preferência de Flávio Bolsonaro por Alcides mostram que, mesmo dentro de uma mesma trincheira, o poder não se distribui de forma automática nem consensual.
Cada liderança opera para fortalecer seus próprios aliados e ampliar sua influência.
Esse movimento não é novidade aqui no Ceará. O próprio histórico dos Ferreira Gomes mostra como laços familiares não blindam disputas por espaço e protagonismo. A trajetória de Cid e Ciro é prova disso. Os irmãos, aliados por décadas, passaram a ocupar posições políticas distintas conforme os interesses estratégicos se reorganizaram.
Nacionalmente, a família Bolsonaro vive algo semelhante. Embora o discurso público seja de unidade, as articulações internas mostram disputas por comando político, definição de candidaturas e influência eleitoral nos estados.
O embate entre Priscila Costa e Alcides Fernandes tem peso simbólico porque ajuda a medir quem terá maior capacidade de interlocução com o núcleo bolsonarista nacional.
Para Priscila, o apoio de Michelle Bolsonaro fortalece uma imagem associada ao conservadorismo de costumes e ao eleitorado evangélico. Já Alcides Fernandes, respaldado por Flávio Bolsonaro, tenta se consolidar pela força política construída ao lado de André Fernandes, hoje um dos principais ativos da direita cearense.
Quem terá mais musculatura para liderar esse campo político no estado?
Alinhamento partidário ou familiar não garante unidade política. O poder tem CPF, projeto e cálculo próprio. No fim das contas, cada um puxa a sardinha pro seu lado.
