Enquanto a polarização política segue marcando o cenário nacional, uma parcela significativa do eleitorado brasileiro permanece distante dos dois principais polos ideológicos do país. Segundo recortes da pesquisa Genial/Quaest, 27% dos eleitores afirmam não ser nem antipetistas nem antibolsonaristas, percentual que se mantém relativamente estável desde fevereiro. A informação é do jornal O GLOBO.
O grupo é considerado estratégico para a disputa presidencial de 2026 por não apresentar rejeições automáticas a nenhum dos lados. Sem vínculos ideológicos consolidados, esses eleitores tendem a avaliar candidatos a partir de questões práticas do cotidiano, como emprego, renda, custo de vida e perspectivas econômicas.
Os dados mostram que os chamados “não polarizados” estão mais presentes entre eleitores de menor renda e entre aqueles que se definem politicamente como independentes, sem alinhamento à direita ou à esquerda.
Atualmente, a avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é positiva dentro desse segmento. Em junho, 51% dos eleitores não polarizados aprovavam a gestão federal, enquanto 40% desaprovavam. O resultado representa uma melhora em relação aos meses anteriores e interrompe um cenário de empate técnico observado em maio, quando aprovação e desaprovação registravam 45%.
Apesar do avanço, especialistas apontam que o apoio desse grupo é considerado volátil. Como não está baseado em identificação ideológica, o comportamento eleitoral dos não polarizados tende a variar de acordo com a percepção sobre o momento econômico e político do país.
A série histórica da Quaest também indica estabilidade na composição geral do eleitorado. Em junho, os antibolsonaristas representavam 31% dos entrevistados, enquanto os antipetistas somavam 29%. Outros 10% afirmaram rejeitar simultaneamente os dois campos políticos.
Somados aos eleitores que rejeitam tanto o petismo quanto o bolsonarismo, os não polarizados formam um contingente superior a um terço do eleitorado brasileiro, tornando-se uma das principais frentes de disputa para os candidatos que pretendem chegar ao Palácio do Planalto.
A pesquisa ainda revela diferenças entre homens e mulheres. Embora a parcela de não polarizados seja semelhante entre os dois grupos, com 28% entre mulheres e 26% entre homens, as rejeições aos polos variam. Entre as mulheres, o antibolsonarismo é predominante, alcançando 35%. Já entre os homens, o antipetismo aparece com maior força, atingindo 32%.
