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Setores brasileiros afetados por tarifa dos EUA defendem negociação e temem perda de empregos

Associações ligadas às indústrias de máquinas, calçados, têxtil, madeira e etanol se manifestaram após o anúncio da cobrança adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros

Foto: Dado Galdieri/Bloomberg

A cobrança adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros levou entidades de diferentes setores produtivos a defenderem uma solução negociada para o impasse comercial. Embora classifiquem a medida como prejudicial para as exportações, as associações demonstraram preocupação com uma possível escalada nas tensões entre os dois países.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) afirmou que respostas baseadas em disputas políticas podem ampliar os impactos econômicos da medida.

“Respostas motivadas por embates políticos tendem a gerar apenas novos aumentos tributários, insegurança jurídica e custos adicionais”, afirmou o presidente da Faesp, Tirso Meirelles.

Apesar da posição defendida por entidades empresariais, o governo brasileiro indicou que a possibilidade de aplicar a Lei da Reciprocidade continua sendo considerada. Em entrevista nessa quinta-feira, 16, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil saberá utilizar o instrumento “no momento adequado” e disse que a legislação prevê mecanismos de resposta a medidas consideradas discriminatórias adotadas por outros países.

Máquinas e equipamentos

Segundo estudo da MB Associados citado pela reportagem, o setor de máquinas e equipamentos é o mais afetado pelas novas tarifas.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) informou que pretende manter as negociações para buscar novas exceções às sobretaxas e afirmou que espera medidas para reduzir os impactos sobre os segmentos atingidos.

A diretora executiva de Mercado Externo da entidade, Patrícia Gomes, disse que a associação pretende fortalecer o diálogo para evitar uma eventual retaliação por parte do governo brasileiro: “A intenção é fortalecer o diálogo e evitar uma eventual decisão de retaliação do governo. Achamos que não é o caminho”.

A Abimaq também informou que, em 2025, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos para os Estados Unidos alcançaram aproximadamente US$ 3,2 bilhões, enquanto as exportações norte-americanas para o Brasil somaram cerca de US$ 4,8 bilhões.

Etanol, calçados, têxtil e madeira

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) lamentou a decisão do governo norte-americano e afirmou que a medida desconsidera as regras do comércio internacional e as assimetrias existentes na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. A entidade reiterou que a política tarifária brasileira para o etanol está em conformidade com as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC) e defendeu que o impasse seja resolvido por meio do diálogo entre os governos.

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) informou que revisou sua projeção para as exportações do setor em 2026. A estimativa passou de retração de 3,6% para queda média de 7,1% após a imposição da tarifa adicional.

Já a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) avaliou, em nota, que medidas desse tipo ampliam a insegurança no comércio internacional, reduzem a competitividade das empresas e podem afetar investimentos, produção, emprego e a integração das cadeias produtivas. A entidade também defendeu que as divergências comerciais sejam solucionadas por meio do diálogo institucional.

A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) afirmou que o novo tarifaço representa um impacto para o setor, que ainda buscava se recuperar das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos em 2025. Em nota, a entidade defendeu uma negociação diplomática para tentar reverter o cenário e preservar as relações comerciais entre os dois países.

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