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Polícia mira donos de plataformas ilegais de apostas em investigação que envolve quatro influenciadores do Ceará

Operação Lavagem Digital investiga quatro influenciadores e já bloqueou R$ 2 milhões de contas ligadas aos investigados

Foto: Divulgação

A Polícia Civil do Ceará tenta identificar os responsáveis por plataformas clandestinas de apostas online divulgadas por influenciadores digitais nas redes sociais. A apuração ocorre no âmbito da Operação Lavagem Digital, deflagrada na última quinta-feira, 16, e tem entre os alvos quatro influenciadores cearenses. A informação é do Diário do Nordeste.

Segundo a Polícia, a investigação apura a divulgação sistemática de apostas ilegais e a captação de apostadores por meio das redes sociais, com o uso de falsas promessas de ganhos financeiros rápidos e elevados.

O inquérito teve início após uma denúncia de uma vítima que afirmou ter perdido cerca de R$ 170 mil em apostas ilegais, incluindo jogos como o “Jogo do Tigrinho”. Segundo o delegado Robeilton Amorim, titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas do Interior Sul (Draco Sul), a vítima passou a apostar inicialmente com o próprio dinheiro e, posteriormente, também utilizou recursos de familiares.

A partir da denúncia, os perfis dos influenciadores passaram a ser monitorados pela Polícia. A primeira fase da operação resultou no cumprimento de medidas cautelares, mandados de busca e apreensão e no bloqueio de aproximadamente R$ 2 milhões em contas dos investigados.

Polícia busca identificar responsáveis pelas plataformas

A principal dificuldade da investigação, neste momento, é identificar quem são os responsáveis pelas plataformas clandestinas. Conforme os depoimentos prestados pelos influenciadores, os contatos para a divulgação dos jogos eram feitos pelo WhatsApp e utilizavam números internacionais.

Os investigados relataram que, em alguns casos, os contatos eram feitos por uma pessoa chinesa. A Polícia ainda tenta esclarecer se as plataformas são operadas no Brasil ou no exterior.

Os pagamentos pela divulgação dos jogos ocorriam de duas formas. Alguns influenciadores recebiam valores fixos mensalmente. Outros eram remunerados por comissão, de acordo com a quantidade de dinheiro movimentada na plataforma a partir dos links divulgados.

Os valores eram sacados pelos próprios influenciadores dentro das plataformas, por meio de créditos que geravam códigos Pix.

A Polícia Civil aguarda agora a perícia dos aparelhos celulares apreendidos durante a operação. A análise do material deve auxiliar na tentativa de identificar os responsáveis pelas plataformas.

Outro fator que dificulta o trabalho dos investigadores é a frequência com que as plataformas deixam de funcionar e retornam ao ar. Com isso, os links divulgados pelos influenciadores perdem a validade rapidamente.

Quem são os influenciadores investigados

Os quatro influenciadores foram ouvidos pela Polícia Civil. Apenas um permaneceu em silêncio. Segundo o delegado Robeilton Amorim, os demais confirmaram que fizeram as divulgações e afirmaram que achavam que as plataformas eram legais e que não sabiam da ilegalidade.

São investigados:

  • Caroline Pereira Duarte: possui cerca de 1 milhão de seguidores em uma rede social e costuma publicar conteúdos relacionados à família;
  • Anderson Manoel de Souza: tem mais de 600 mil seguidores e faz publicações de humor e dança;
  • Kauê Diogo Pereira Cavalcante, conhecido como “O Menino do Gueto”: possui mais de 250 mil seguidores e se apresenta como dançarino e cantor;
  • Jesus Kléberson Lourenço da Silva: tem mais de 100 mil seguidores e se intitula empresário, dançarino e influenciador.

Nenhum dos investigados está preso ou foi indiciado por qualquer crime. Uma das investigadas é monitorada por tornozeleira eletrônica, mas a Polícia Civil não informou o motivo.

Operação apura possíveis crimes

A Operação Lavagem Digital é conduzida pela Draco Sul e investiga a atuação de influenciadores na divulgação de plataformas ilegais de apostas. A suspeita é de que eles tenham utilizado as redes sociais para captar apostadores e induzi-los ao erro por meio de falsas promessas de ganhos financeiros elevados.

A investigação também apura possíveis crimes de estelionato, exploração de jogos de azar, crimes contra a economia popular e lavagem de dinheiro.

A Polícia Civil tenta identificar os responsáveis pelas plataformas e esclarecer a participação de cada envolvido nas condutas investigadas.

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