O Museu do Ceará permanece fechado ao público e a previsão mais recente é de que a reabertura ocorra apenas no fim de 2026, apesar de o cronograma inicial apontar para o primeiro semestre deste ano. Conforme a Secretaria da Cultura do Ceará (Secult-CE), a reforma física do prédio já foi concluída, mas o espaço ainda passa por uma série de etapas necessárias antes de voltar a receber visitantes. As informações são do Diário do Nordeste.
Entre os serviços pendentes estão a aquisição e instalação de mobiliário e equipamentos, a contratação da equipe de curadoria, além da devolução do acervo e da reorganização dos profissionais que atuarão no museu.
Enquanto esses procedimentos são finalizados, o imóvel segue cercado por tapumes como forma de proteção contra depredações e vandalismo. Mesmo assim, quem passa pelo local já consegue observar mudanças na parte externa, incluindo a fachada revitalizada.
Instalado no histórico Palacete Senador Alencar, no Centro de Fortaleza, o Museu do Ceará é o mais antigo equipamento museológico do Estado. O espaço está fechado desde abril de 2019, quando as atividades foram interrompidas para a realização de obras emergenciais de manutenção.
Embora o fechamento tenha ocorrido há mais de sete anos, a reforma e o restauro começaram efetivamente apenas em setembro de 2024. Na época, a então secretária da Cultura, Luisa Cela, informou que os investimentos na recuperação do prédio chegaram a R$ 4,7 milhões.
O cronograma da obra sofreu sucessivos adiamentos. A entrega estava prevista inicialmente para junho de 2025, depois foi transferida para outubro do mesmo ano e, posteriormente, para o primeiro semestre de 2026.
Em nota divulgada na última sexta-feira, 17, a Secult informou que a empresa responsável pela execução dos trabalhos concluiu a etapa prevista em campo dentro do cronograma mais recente. Agora, a expectativa é pela conclusão da fase de estruturação interna, considerada essencial para o funcionamento do equipamento.
Problemas antigos marcaram o prédio
A recuperação do Museu do Ceará ocorreu após um longo período de paralisação. Durante aproximadamente cinco anos, o edifício permaneceu fechado aguardando o início das obras, o que reforçou a percepção de abandono de um dos patrimônios históricos mais importantes da capital.
Segundo a ex-secretária Luisa Cela, o atraso no início da restauração foi provocado, entre outros fatores, pelos impactos financeiros e sanitários da pandemia de Covid-19.
Entretanto, os desafios estruturais do prédio são bem anteriores. Há mais de uma década, já eram registrados problemas como infiltrações, portas e janelas deterioradas e outras falhas que comprometiam a conservação do imóvel.
As intervenções realizadas nos últimos dois anos priorizaram a recuperação da cobertura, do telhado, das calhas, dos sistemas de impermeabilização e das instalações hidrossanitárias do Palacete Senador Alencar.
Por se tratar de um bem tombado, a restauração foi acompanhada pela Superintendência de Obras Públicas (SOP) e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Patrimônio reúne quase 13 mil peças históricas
Criado em 1933, ainda com o nome de Museu Histórico do Ceará, o equipamento passou a funcionar no Palacete Senador Alencar em 1990. O edifício histórico, erguido entre 1855 e 1871, já sediou instituições como a antiga Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel, a Assembleia Legislativa do Ceará e a Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Antes do fechamento, o museu abrigava um acervo com quase 13 mil itens que retratam diferentes períodos da história cearense. Entre as peças mais conhecidas está o Bode Ioiô, incorporado à coleção em 1935, além de objetos ligados às áreas de Paleontologia, Arqueologia, Antropologia Indígena e Mobiliário.
Com a interdição do prédio, o acervo foi transferido para o Anexo Bode Ioiô, localizado na Rua Major Facundo, também no Centro de Fortaleza, onde parte das peças e documentos históricos continua disponível para visitação.
