A comparação das eleições de 2018 e 2022 para a Assembleia Legislativa nos 14 municípios do Sertão Central mostra um cenário dividido entre permanência e renovação. Dos dez candidatos com maior votação regional em 2018, cinco continuaram no top 10 quatro anos depois, enquanto a outra metade foi substituída.
Osmar Baquit, Leonardo Pinheiro, João Jaime, Bruno Pedrosa e Fernando Santana aparecem nos dois levantamentos. Aderlania Noronha, Zezinho Albuquerque, Romulo Filho, Moisés Braz e Sergio Onofre, que estavam entre os dez primeiros em 2018, não permaneceram no grupo em 2022.
As cinco vagas passaram a ser ocupadas por Almir Bié, Gabriella Aguiar, De Assis Diniz, Salmito e Luana Ribeiro.
A mudança de metade dos nomes, porém, não significou uma substituição completa das candidaturas que já tinham votação na região. Entre os que permaneceram, houve trajetórias diferentes: alguns aumentaram os votos, outros registraram redução e determinadas candidaturas passaram a depender ainda mais de municípios específicos.
Novos nomes chegam diretamente às primeiras posições
A entrada de novos candidatos não ocorreu apenas na parte inferior do ranking. Almir Bié, que não aparecia entre os dez primeiros do levantamento de 2018, terminou 2022 na segunda posição regional, com 17.560 votos. Gabriella Aguiar também entrou diretamente no topo, ficando em terceiro, com 17.059.
Os resultados dos dois mostram, ao mesmo tempo, como uma votação regional elevada pode ser construída a partir de bases territoriais diferentes.
No caso de Gabriella, a concentração é particularmente visível. Dos 17.059 votos recebidos nos 14 municípios, 10.811 vieram de Boa Viagem e 4.583 de Banabuiú. As duas cidades responderam juntas por 15.394 votos, cerca de 90% do resultado regional da candidata. Além disso, Gabriella terminou na primeira colocação nos dois municípios.
Almir Bié teve em Itatira sua maior votação entre as cidades analisadas. Foram 8.199 votos, resultado que também lhe garantiu a primeira posição no município.
Os números mostram que a chegada de novos nomes às primeiras posições do ranking regional não necessariamente significou uma votação distribuída de maneira uniforme pelo Sertão Central. Parte desse desempenho esteve associada a bases municipais específicas.
João Jaime cresce, mas Canindé aumenta ainda mais seu peso
Entre os candidatos que permaneceram no top 10, João Jaime passou de 10.049 votos em 2018 para 13.772 em 2022, acréscimo de 3.723. O crescimento regional está diretamente relacionado a Canindé.
No município, João Jaime saiu de 6.956 votos em 2018 para 11.221 quatro anos depois. Foram 4.265 votos adicionais. Isso significa que o aumento obtido apenas em Canindé foi maior que o crescimento registrado pelo candidato em todo o conjunto dos 14 municípios. A diferença indica que os ganhos em Canindé compensaram reduções registradas em outras cidades.
A concentração também aumentou. Em 2022, Canindé respondeu por 81,5% dos votos de João Jaime no recorte regional. Assim, embora o resultado total tenha crescido 37%, os dados mostram que esse avanço veio acompanhado de uma dependência maior de sua principal base municipal.
Permanecer no top 10 não significou necessariamente crescer no Sertão Central
Leonardo Pinheiro também aparece nas duas eleições e aumentou sua votação. Passou de 12.752 para 14.705 votos, um acréscimo de 1.953.
Bruno Pedrosa e Fernando Santana, por outro lado, permaneceram entre os dez primeiros mesmo recebendo menos votos no segundo levantamento. Pedrosa caiu de 8.663 para 7.751 votos, uma redução de 912. Fernando Santana passou de 7.000 para 6.698, 302 votos a menos.
PP aumenta participação no grupo dos mais votados
A troca de nomes também modificou a composição partidária do top 10. Os candidatos do PP presentes entre os dez primeiros somavam 21.415 votos em 2018. Em 2022, Almir Bié, Leonardo Pinheiro e João Jaime chegaram juntos a 46.037. A diferença é de 24.622 votos.
O número precisa ser observado dentro dos limites do levantamento: ele não representa a votação total do PP no Sertão Central, mas somente a soma dos candidatos da legenda que ficaram entre os dez primeiros em cada eleição. Ainda assim, a comparação mostra que o partido passou a ocupar uma parcela maior do ranking analisado em 2022.
O PDT teve três candidatos no top 10 daquele ano: Osmar Baquit, Salmito e Bruno Pedrosa, que somaram 44.115 votos.
- Esta é a quarta matéria de uma série de reportagens especiais produzidas pelo Repórter Ceará que vão detalhar os números, apresentar comparativos e mostrar, município a município, como o cenário eleitoral se comportou no intervalo de quatro anos, revelando sucessões familiares, a busca por novos redutos eleitorais e analisando a possibilidade do cenário para 2026 levando em consideração os apoios formais de prefeitos e prefeitas a candidatos específicos. Confira a terceira AQUI.
