A popularização dos procedimentos estéticos minimamente invasivos trouxe novas possibilidades para quem deseja modificar ou suavizar características do rosto. Ao mesmo tempo, o aumento da procura também amplia uma discussão entre especialistas: até que ponto a realização de mais procedimentos representa, de fato, um resultado melhor?
Dados do levantamento global mais recente da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) apontam cerca de 6,3 milhões de procedimentos com ácido hialurônico realizados no mundo, crescimento de 5,2% em relação ao levantamento anterior. A toxina botulínica também permanece entre os procedimentos estéticos mais procurados, com aproximadamente 7,9 milhões de aplicações.
Nesse cenário, a discussão sobre harmonização facial passa a envolver não apenas a possibilidade de alterar características do rosto, mas também a necessidade de avaliar limites, proporções e objetivos individuais. A influência das redes sociais, que frequentemente apresenta padrões estéticos semelhantes, é outro fator que pode estimular a busca por resultados que nem sempre correspondem às características de cada pessoa.
Segundo a dentista e especialista em harmonização facial Dra. Eduarda Diógenes, a indicação de procedimentos deve considerar a estrutura e as necessidades de cada paciente. “Harmonizar não significa preencher várias regiões do rosto. É preciso compreender anatomia, proporções e características individuais. Em muitos casos, fazer menos, mas com precisão, pode proporcionar um resultado mais natural”, explica.
Toxina botulínica, preenchimento com ácido hialurônico e bioestimuladores possuem indicações e objetivos diferentes. Por isso, a avaliação individual é importante para determinar quando determinada técnica pode ser utilizada e também quando uma intervenção não é necessária.
A reprodução de características observadas em celebridades e influenciadores também exige cautela. “Uma referência não deve ser automaticamente transformada em indicação. Cada rosto possui estrutura e proporções próprias. O resultado deve considerar as características do paciente, e não apenas reproduzir um determinado padrão”, destaca a especialista.
Para quem considera realizar algum procedimento, a recomendação é buscar um profissional habilitado e passar por avaliação individualizada antes da intervenção. Conhecer as indicações, limitações e possíveis riscos também faz parte do processo de decisão.
Mais do que acompanhar tendências, a discussão atual sobre harmonização facial envolve encontrar um equilíbrio entre o desejo de mudança e a preservação das características individuais. Nesse contexto, a quantidade de procedimentos deixa de ser o principal parâmetro para avaliar um resultado.
“O objetivo não é fazer mais, mas saber o que fazer, onde fazer e também quando não fazer”, conclui Dra. Eduarda.
