O Ceará contabilizou 36.393 notificações de dengue e mais de 11 mil casos confirmados da doença até o início de agosto de 2026. Os números superam os registrados no mesmo período do ano passado, quando o Estado somava cerca de 25 mil notificações e 4.856 confirmações. as informações são do Diário do Nordeste.
As informações constam no IntegraSUS, plataforma da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), e no Informe Operacional de Arboviroses divulgado pela Pasta em 11 de agosto.
O avanço da transmissão preocupa principalmente em 34 municípios, que apresentam incidência alta ou muito alta de casos prováveis. De acordo com a Sesa, esse cenário representa risco para a ocorrência de epidemias nessas localidades.
Em 2026, ano em que a presença da dengue completa quatro décadas no Ceará, o Estado acumula historicamente quase 900 mil casos e 680 mortes pela doença.
Somente neste ano, foram registrados 376 casos com sinais de alarme e outros 19 classificados como dengue grave. Até o momento, 18 mortes foram confirmadas e outras cinco permanecem em investigação. Os óbitos confirmados estão distribuídos entre as regiões de Fortaleza, com sete; Norte, com cinco; Sul, com três; e Litoral Leste, com um.
Transmissão aumentou entre junho e julho
O monitoramento laboratorial aponta uma elevação na quantidade de exames positivos a partir do fim de maio. Segundo o informe da Sesa, o crescimento começou em 31 de maio e continuou até a Semana Epidemiológica 29, entre 19 e 25 de julho.
A maior concentração de confirmações ocorreu entre 22 de junho e 1º de agosto. A Secretaria atribui esse comportamento à intensificação da circulação do vírus e da transmissão em determinadas regiões do Ceará.
Entre as amostras analisadas por biologia molecular, o sorotipo DENV-2 é predominante, correspondendo a 85,7% dos resultados. O DENV-1 aparece em 13,6%, enquanto o DENV-3 representa 0,7%.
Apesar da participação menor, a presença do DENV-3 tem chamado a atenção pela distribuição em diferentes regiões. O sorotipo foi identificado em Russas, com 10 registros; Fortaleza, com oito; Brejo Santo, com sete; e Aracati, Iguatu, Caucaia e Camocim, com um caso cada.
O DENV-3 chegou ao Ceará em 2001 e voltou a apresentar circulação relevante em 2008, 2011, 2021 e 2025. Como parte significativa da população não teve contato recente com esse sorotipo, há maior quantidade de pessoas suscetíveis à infecção e, consequentemente, possibilidade de novos surtos.
Dengue circula em 176 municípios
Dos 184 municípios cearenses, 176 já apresentaram casos prováveis de dengue neste ano. Em 34 deles, a incidência acumulada está enquadrada nos níveis alto ou muito alto.
Dentro desse grupo, 25 municípios apresentam também incidência elevada de casos já confirmados, situação classificada como transmissão ativa sustentada.
No Sul do Ceará, estão nessa condição Cedro, Jardim, Farias Brito, Granjeiro, Ipaumirim, Porteiras, Baixio, Cariús e Várzea Alegre.
Na região Norte aparecem Tianguá, Hidrolândia, Catunda, Reriutaba, Guaraciaba do Norte, Tamboril, Sobral e Croatá.
Já no Litoral Leste, integram a lista Aracati, Pereiro, Jaguaretama, Palhano, Jaguaribara, Itaiçaba, Jaguaribe e Icapuí.
As regiões de Fortaleza e Norte concentram, juntas, aproximadamente 62,5% das notificações registradas no Ceará. A região Sul, por sua vez, responde por 34,4% dos casos confirmados e apresenta a maior positividade laboratorial, de 42,7%.
Sintomas e prevenção
A dengue circula de maneira contínua no Ceará desde 1986. A doença pode provocar febre alta, dor de cabeça, dores musculares e articulares, prostração e dor atrás dos olhos.
O Ministério da Saúde orienta que pessoas com febre repentina entre 39°C e 40°C associada a pelo menos dois desses sintomas procurem atendimento de saúde.
Entre os sinais que podem indicar agravamento estão dor abdominal intensa, vômitos recorrentes, tontura ou sensação de desmaio, dificuldade para respirar, sangramentos, além de cansaço ou irritabilidade.
A prevenção permanece concentrada no combate aos criadouros do Aedes aegypti. Entre as medidas recomendadas estão eliminar recipientes que acumulem água, manter caixas-d’água e reservatórios fechados, limpar calhas e ralos, além de utilizar telas e repelentes em áreas com transmissão.
Chikungunya cresce em notificações, mas cai em confirmações
O Ceará também registrou 5.276 notificações de chikungunya em 2026, quantidade 9,6% superior à observada no ano anterior. Apesar disso, apenas 151 casos foram confirmados, uma redução de 71,5% em relação a 2025.
Fortaleza aparece com 12 confirmações, seguida por Tamboril, com 10; Sobral e Aracati, com oito cada; Caucaia e Quixeré, com seis; e Reriutaba e Itapipoca, com cinco.
Os primeiros casos de transmissão local de chikungunya no Ceará foram identificados em 2015. A circulação sustentada começou no ano seguinte e atingiu seu período mais crítico em 2017, quando foram registrados 105.323 casos e 194 mortes.
Já zika e febre do oropouche não tiveram casos registrados no Ceará em 2026 até o período analisado. No caso do oropouche, o cenário difere de 2025, quando 713 casos foram confirmados, sendo 703 de transmissão dentro do próprio Estado, principalmente em municípios das regiões serranas de Baturité e Maracanaú, como Baturité, Aratuba e Mulungu.
