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Augusto Cury e a ruptura da comunicação política polarizada

No marketing político, posicionamento é fundamental. O candidato precisa encontrar um espaço de percepção na mente do eleitor e construir uma narrativa capaz de diferenciá-lo dos concorrentes

Foto: Renato Pizzutto/Band

A participação do presidenciável Augusto Cury, do Avante, no debate da Band produziu um movimento que merece ser analisado sob a ótica do marketing político e do comportamento eleitoral.

Mais do que sua participação no debate, Cury chamou atenção ao fugir do tradicional enquadramento “direita versus esquerda”, buscando ocupar um território discursivo baseado em soluções, comportamento humano, educação, saúde emocional e reorganização social.

No marketing político, posicionamento é fundamental. O candidato precisa encontrar um espaço de percepção na mente do eleitor e construir uma narrativa capaz de diferenciá-lo dos concorrentes.

Cury parece apostar justamente nessa diferenciação.

O crescimento expressivo de seus seguidores nas redes sociais é um indicador de atenção, embora seja importante lembrar que engajamento digital não significa necessariamente intenção de voto. O desafio agora é transformar visibilidade em identificação, confiança e, posteriormente, voto.

Seu principal ativo de comunicação está também na trajetória construída fora da política. Psiquiatra, escritor e palestrante, Cury possui uma marca pessoal associada ao comportamento humano e às relações sociais.

Esse posicionamento permite a construção da imagem de um outsider qualificado, capaz de apresentar à política uma perspectiva diferente daquela encontrada nos grupos tradicionais.

O desafio será transformar conceitos em propostas concretas e demonstrar capacidade de execução.

O fenômeno Cury revela, portanto, algo importante para o marketing político: existe um eleitorado que pode estar cansado da polarização e disposto a ouvir uma narrativa diferente.

Talvez não seja necessariamente uma terceira via partidária, mas uma terceira linguagem política.

Uma linguagem menos centrada no conflito e mais orientada para soluções.

Resta saber se Augusto Cury conseguirá transformar o fenômeno de comunicação em fenômeno eleitoral.

Escrito por Fábio Tajra

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