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Campanha de Lula vê disputa aberta após Datafolha apontar empate técnico com Flávio Bolsonaro

Aliados dos dois candidatos avaliam que cenário eleitoral está mais apertado na corrida pela Presidência

Foto: Reprodução/TV Globo

A campanha do presidente Lula (PT) passou a reconhecer que a eleição presidencial está em cenário de indefinição diante dos números divulgados pelo Datafolha. O levantamento mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) em uma eventual disputa de segundo turno. As informações são da Folha de S.Paulo.

Segundo a pesquisa, Lula aparece com 46% das intenções de voto, enquanto Flávio soma 44%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados. Duas semanas antes, o petista registrava 47%, contra 43% do senador.

No primeiro turno, Lula tem 38%, Flávio aparece com 33% e Augusto Cury (Avante) alcança 8%, após avançar seis pontos no levantamento.

Dentro da campanha petista, integrantes apontam como dificuldades a avaliação negativa do governo e o atraso na distribuição de materiais eleitorais. O Datafolha mostrou que 42% dos entrevistados avaliam negativamente a gestão, enquanto 31% a aprovam. Há ainda a expectativa de que a propaganda eleitoral na televisão produza efeitos mais perceptíveis nos próximos dias.

Três integrantes da campanha de Lula afirmaram que já esperavam uma disputa mais apertada. Entre os fatores citados está a repercussão dos inquéritos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, investigado sob suspeita de tráfico de influência.

O crescimento de Augusto Cury também já havia sido identificado em levantamentos internos do partido. Apesar da alta registrada pelo candidato do Avante, aliados de Lula avaliam que ele ainda não demonstra força suficiente para chegar ao segundo turno.

O Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios na terça-feira, 1º, e na quarta-feira, 2. A coleta ocorreu no período em que foram divulgadas novas conversas entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

A equipe de Lula considera que o episódio envolvendo Moraes pode provocar desgaste político e tenta manter distância do caso. Nesta quinta-feira, 3, o presidente divulgou um vídeo cobrando providências do STF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), além de defender a investigação de todos os suspeitos.

Já na campanha de Flávio Bolsonaro, auxiliares enxergam o momento como favorável ao senador e acreditam que ele pode ultrapassar numericamente Lula nas próximas pesquisas. A expectativa é de que o ato marcado para o feriado de 7 de Setembro, na Avenida Paulista, em São Paulo, contribua para mobilizar o eleitorado contrário ao petista e a Moraes.

Durante uma transmissão nas redes sociais nesta quinta, Flávio afirmou que manifestações de rua podem influenciar o cenário político.

“Se tem uma coisa que Brasília teme é mobilização de rua, é com povo. É com insatisfação sua nas ruas”, disse. “É o dia que a gente vai decidir se a gente vai dar uma arrancada para de fato buscarmos a liberdade no nosso país ou se a gente vai ficar entregue a esse mar de lama que todos estão vendo que está acontecendo aqui em Brasília.”

Entre aliados do senador, há diferentes avaliações sobre os motivos para a aproximação nas pesquisas. Uma ala atribui o desempenho aos episódios envolvendo Lulinha e à repercussão das conversas entre Moraes e Vorcaro. Outros consideram que o principal fator é a avaliação negativa do governo Lula, associada a questões como custo de vida e endividamento.

A campanha de Flávio também minimiza o avanço de Augusto Cury. Nos bastidores, aliados questionam a consistência do crescimento do candidato do Avante e atribuem parte do desempenho à atuação nas redes sociais, avaliação rejeitada por Cury.

Apesar disso, a orientação pública entre os apoiadores de Flávio é evitar ataques ao adversário. A avaliação é de que Cury estaria conquistando principalmente eleitores antes divididos entre Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), além de poder concentrar votos que, em um eventual segundo turno, tenderiam majoritariamente ao candidato do PL.

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