A candidata a deputada federal Luísa Cela saiu em defesa da trajetória da ex-governadora Izolda Cela e pregou renovação na Câmara dos Deputados durante entrevista concedida nesta quarta-feira, 9, ao programa Ponto de Vista, da SerTão TV.
Ao comentar críticas direcionadas ao legado da mãe na educação, Luísa afirmou considerar “mesquinho” desconsiderar a contribuição de Izolda em razão de divergências políticas.
“Eu acho mesquinho, porque a gente tem que reconhecer o trabalho das pessoas, não é porque a gente tomou uma outra posição, tá em um outro lado, tá divergindo num determinado momento, que a história deve ser apagada”, declarou.
Na sequência, a candidata destacou o reconhecimento da ex-governadora na área educacional. “O mundo conhece Izolda Cela. O Brasil conhece Izolda Cela. Ela é respeitadíssima, não só no Ceará, mas no Brasil e fora do Brasil”, afirmou. Ao falar sobre as contribuições de outros nomes políticos para esse processo, acrescentou: “Qual foi a contribuição do Ciro pra isso? Que eu saiba, zero. O Ivo teve uma contribuição, de fato, participou do processo.”
Outro ponto central da entrevista foi a renovação da representação política em Brasília. Luísa relacionou a decisão de disputar uma cadeira na Câmara Federal à trajetória iniciada no movimento estudantil e à necessidade de ampliar a presença feminina no Parlamento.
“Nós estamos precisando de gente nova, precisando de renovação, precisando de mais mulheres”, disse. A candidata também ressaltou a baixa participação feminina no Congresso: “Nós precisamos fazer com que a Câmara Federal no seu próximo mandato melhore de qualidade […] e pra representar as mulheres, que é a maior parte da população, maior parte do eleitorado e é menos de 15% do parlamento.”
Relação com Quixadá e Quixeramobim
Luísa também falou sobre a relação construída com o Sertão Central, especialmente durante sua atuação profissional na Secretaria da Cultura. Ela citou ações ligadas ao patrimônio histórico de Quixadá e Quixeramobim.
“Pude ter a alegria de contribuir pra inauguração da Casa de Saberes em Quixadá e pra restauração e inauguração da Casa de Câmara e Cadeia em Quixadá e de Antônio Conselheiro em Quixeramobim”, relatou. Ela lembrou ainda que a inauguração do equipamento em Quixeramobim ocorreu quando Izolda Cela estava como governadora do Ceará.
Cultura entre as prioridades
Na área cultural, Luísa destacou a descentralização dos investimentos como uma experiência que pretende levar para sua atuação política. Segundo ela, uma das principais reivindicações quando assumiu a Secretaria da Cultura era fazer os recursos chegarem ao interior.
“Existia uma crítica muito grande de uma concentração dos investimentos em Fortaleza. E eu posso dizer que eu termino a minha gestão tendo avançado muito nisso. Hoje os 184 municípios do Ceará recebem recursos”, afirmou.
A candidata também defendeu a regulamentação do trabalho dos profissionais da cultura. “Às vezes a gente não reconhece que um artista, um ator, um músico é um trabalhador. E é um trabalhador hoje sem seguridade social e sem previdência”, disse. Entre outras propostas, citou a ampliação do orçamento e da rede de equipamentos culturais.
Causa animal
Questionada sobre políticas de proteção animal, Luísa defendeu maior participação do poder público na criação de estruturas de acolhimento e atendimento nos municípios.
“Nós não temos como não ter centros de acolhimento de animais que estão em situação de abandono, de rua, políticas que possam permitir o cuidado desses animais, como castração, como cuidado com doenças”, afirmou. Para ela, é necessário “garantir aos municípios a condição de montar uma rede de apoio, de acolhimento e de cuidado”.
Desenvolvimento do Sertão Central
Ao tratar de infraestrutura, Luísa afirmou que a atuação de um deputado federal pode combinar destinação de recursos e articulação política para viabilizar projetos estruturantes.
“É dessa forma que uma deputada federal pode ajudar. Tanto destinando recursos pra melhorar vias, pra melhorar pavimentação, pra construir infraestruturas, como também articulando grandes projetos”, disse. Ela citou ainda a possibilidade de direcionar recursos para iniciativas da área hídrica.
Mulheres na política
Luísa também abordou o machismo e a violência enfrentados pelas mulheres nos espaços políticos. A candidata disse estar preparada para enfrentar o ambiente da Câmara Federal e defendeu mudanças nesse cenário.
“Eu tô com muita determinação, coragem e ousadia de enfrentar. Eu sei bem o que é a Câmara Federal, a gente acompanha os debates”, declarou.
Ela acrescentou que não considera mais aceitável que mulheres sofram violência ao ocupar esses espaços. “Nós não podemos mais tolerar. Não dá mais pra tolerar, nós já tamo no século XXI, as mulheres já conquistaram uma série de direitos, e a gente quer conquistar mais”, afirmou.
