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IA na educação pública: novas regras do CNE reforçam necessidade de capacitar profissionais

Conselho Nacional de Educação estabelece restrições ao uso de inteligência artificial nas escolas e amplia debate sobre capacitação de professores e gestores

Foto: Freepik

A inteligência artificial já começa a transformar processos, rotinas e formas de tomada de decisão em diferentes setores, e a educação está entre as áreas impactadas por esse avanço. Embora a tecnologia possa ampliar possibilidades no planejamento de aulas, na personalização do ensino e na análise de informações, especialistas destacam que o desafio não está apenas na adoção das ferramentas, mas também na formação dos profissionais para utilizá-las de maneira crítica, estratégica e responsável.

O debate ganhou força após o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovar, na última terça-feira, 1º de setembro, novas diretrizes para o uso de inteligência artificial no ambiente educacional. Entre as medidas previstas está a proibição do uso de IA para corrigir e atribuir notas a redações e provas dissertativas em todas as etapas de ensino.

Para Cláudio Falcão, sócio da G&T Controller, a adoção de novas tecnologias precisa ser acompanhada de um diagnóstico da estrutura existente e da preparação das equipes. “Existe, sim, o risco de municípios investirem em tecnologias sofisticadas sem antes resolver questões básicas de infraestrutura, conectividade e capacitação. Muitas vezes, há uma preocupação em adquirir a ferramenta mais moderna, quando o principal problema ainda está nos processos. Tecnologia, sozinha, não transforma uma gestão. É fundamental fazer um diagnóstico prévio, entender a infraestrutura disponível, como os processos funcionam, quem utilizará a solução e quais informações precisam ser produzidas. Só a partir dessa análise é possível construir uma transformação digital realmente sustentável e capaz de gerar resultados”, afirma.

A regulamentação também estabelece limites para o acesso de crianças da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental, até o 5º ano, a ferramentas de inteligência artificial sem supervisão. As medidas ampliam a discussão sobre os limites do uso da tecnologia e reforçam a importância de preparar professores e gestores para compreender seus recursos, possibilidades e limitações.

Tecnologia avança, mas capacitação ainda é desafio

Levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado em outubro de 2025, mostra que cerca de 56% dos professores brasileiros utilizam recursos tecnológicos para preparar aulas e buscar novas estratégias de ensino. O percentual está 20 pontos acima da média observada entre os países desenvolvidos.

Ao mesmo tempo, 64% dos professores afirmam não possuir conhecimentos ou habilidades suficientes para utilizar ferramentas de inteligência artificial. Para Flávia Ferreira, professora e sócia da G&T Controller, os dados mostram que a expansão do uso da tecnologia precisa caminhar junto com a qualificação profissional.

“Mais do que disponibilizar uma ferramenta de inteligência artificial, é preciso preparar os profissionais para compreender seus recursos, limitações e resultados. A tecnologia pode ampliar a capacidade de análise e apoiar decisões, mas sua utilização exige conhecimento para interpretar as informações e avaliar cada situação dentro do seu contexto. Nesse sentido, a capacitação é fundamental para que a IA seja utilizada de forma crítica, estratégica e responsável”, explica.

Segundo Flávia, a inteligência artificial deve ser encarada como uma ferramenta de apoio ao trabalho dos profissionais da educação, e não como substituta da análise humana. Nesse processo, professores e gestores precisam desenvolver competências para avaliar informações, compreender os resultados produzidos pelas ferramentas e reconhecer suas limitações.

As novas diretrizes entrarão em vigor após a publicação da resolução no Diário Oficial da União (DOU), depois da homologação pelo Ministério da Educação (MEC). A partir da publicação, sistemas de ensino e instituições educacionais terão prazo de 12 meses para se adequar às novas regras. As proibições estabelecidas no parecer, no entanto, terão aplicação imediata.

Sobre Flávia Ferreira

Professora, Mestre em Educação, licenciada em História, Geografia e Pedagogia, com especialização em Políticas Educacionais. É CEO do Instituto de Educação Construir, Diretora Executiva Educacional da G&T Controller e Coordenadora Educacional do Sistema G&T Educação, apresentadora do Podcast Conversas que cuidam, Diretora Geral da Faculdade Regional Jaguaribara.

Autora de obras voltadas à área educacional e apresentadora do podcast conversas que cuidam, também é escritora do livro Atendimentos da Professora Flávia Ferreira, no qual compartilha experiências vivenciadas ao longo de sua trajetória como professora e assessora pedagógica, relatando o trabalho desenvolvido em diversos municípios do Estado do Ceará e os desafios enfrentados na busca pela melhoria da educação pública.

Como criadora de conteúdo educacional nas redes sociais, especialmente no Instagram, atua na formação continuada de profissionais da educação em municípios que utilizam o Sistema G&T Educação. Seu trabalho é voltado à capacitação de equipes para o uso eficiente de plataformas educacionais, contribuindo para o fortalecimento da gestão escolar, a qualificação dos processos pedagógicos e o desenvolvimento contínuo das práticas educacionais.

Sobre Cláudio Falcão

Administrador, Técnico em Contabilidade e especialista em Gerenciamento de Projetos, possui mais de 20 anos de experiência na área da gestão pública, destacando-se pela implantação de soluções inovadoras e pelo fortalecimento da eficiência administrativa em instituições públicas. Como CEO da G&T Controller, empresa referência no Nordeste em soluções tecnológicas para gestão e controle, lidera o desenvolvimento de sistemas e estratégias que promovem a transformação digital, a modernização da gestão pública e a melhoria dos serviços oferecidos à sociedade.

Sua atuação empreendedora também se estende ao setor agropecuário, à frente da Agro Falcão, empreendimento voltado à produção de leite e carne, que se tornou igualmente um espaço de inclusão e responsabilidade social ao sediar um projeto de Equoterapia Inclusiva, beneficiando crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Comprometido com a educação e a inclusão, é diretor do Instituto Cearense de Educação, Cultura e Ecologia (ICECE) e idealizador do projeto social Florescer Azul, desenvolvido em parceria com sua esposa, Tatiana Falcão. A iniciativa oferece atendimento multiprofissional nas áreas de Fonoaudiologia, Fisioterapia, Psicologia e Assistência Social, promovendo acolhimento, desenvolvimento e qualidade de vida para crianças autistas e suas famílias em situação de vulnerabilidade social.

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