O cenário hídrico do Ceará para 2027 precisa considerar diversas variáveis, como o aquecimento ou resfriamento do Oceano Atlântico, as consequências do atual El Niño, a espacialidade das chuvas e a recarga dos reservatórios. Essas questões se aplicam a cada município do Estado, como Quixeramobim, no Sertão Central, localizado na Bacia do Banabuiú.
O açude Fogareiro, maior reservatório do município, já se encontra na faixa de alerta, com 41,34% de sua capacidade, acumulando 48,7 milhões de metros cúbicos de água. A Barragem de Quixeramobim, por sua vez, registra 60,84%, o equivalente a 4,8 milhões de m³, e permanece no nível considerado confortável. Os dados são do Portal Hidrológico do Ceará, extraídos nessa segunda-feira, 21.
Pelos parâmetros utilizados para a classificação dos reservatórios, volumes entre 0% e 10% são considerados muito críticos; de 10,1% a 30%, críticos; de 30,1% a 50%, de alerta; de 50,1% a 70%, confortáveis; e de 70,1% a 100%, muito confortáveis.
A situação dos dois reservatórios desperta a atenção dos munícipes, que há anos não convivem com a falta d’água. No entanto, diante do crescimento da cidade, das obras que estão sendo realizadas e da possibilidade de o El Niño impactar a quadra chuvosa de 2027, é preciso planejar o uso consciente dos recursos hídricos para o próximo ano.
O açude Fogareiro está com 41,34%, o menor volume desde 13 de fevereiro de 2024, quando o reservatório chegou a 76,49%. A situação do açude é acompanhada porque o manancial integra a estrutura de abastecimento de Quixeramobim, transferindo água para a Barragem para evitar o desabastecimento da sede urbana.
De acordo com uma simulação realizada pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), considerando o menor aporte registrado na série histórica de 2014 a 2024 e uma vazão média de liberação de 0,30 m³/s, o Fogareiro teria capacidade de atendimento até agosto de 2028, quando alcançaria 3,4 milhões de metros cúbicos armazenados.
A projeção é uma simulação baseada em determinadas condições de aporte e de liberação de água. Novas chuvas, aportes e alterações na operação podem modificar o comportamento do manancial.
Já a Barragem de Quixeramobim apresenta uma situação diferente. Com 60,84% da capacidade, o reservatório está atualmente na faixa confortável. O percentual atual é o menor desde março deste ano, quando o manancial chegou a 29,76% da capacidade, entrando naquele momento na faixa considerada crítica.
Apesar da recuperação posterior, a Cogerh também realizou uma simulação considerando um cenário sem novos aportes. Com uma vazão de retirada de 0,12 m³/s, a projeção indica que o reservatório atingiria, durante novembro de 2026, o volume de alerta, estipulado em 30% da capacidade, o equivalente a aproximadamente 2,3 milhões de metros cúbicos.
Esse nível é considerado um marco operacional importante para o abastecimento. Segundo a Cogerh, ao atingir essa condição, seria necessária uma transferência controlada de água a partir do açude Fogareiro para preservar a segurança do abastecimento público da sede urbana de Quixeramobim.
Chuva e perspectivas para 2027
O comportamento dos reservatórios também precisa ser analisado em conjunto com a dinâmica das chuvas. Em 2026, a irregularidade e a distribuição das precipitações influenciaram a recarga dos mananciais, tornando o acompanhamento dos volumes armazenados ainda mais importante para o planejamento dos próximos meses.
Para 2027, as condições climáticas exigem atenção. Em nota divulgada no início de setembro, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) alertou para a possibilidade de impactos do El Niño sobre a próxima quadra chuvosa do Ceará, de fevereiro a maio.
Segundo o órgão, o fortalecimento do fenômeno pode aumentar a probabilidade de condições menos favoráveis às chuvas, incluindo maior irregularidade das precipitações, ocorrência de períodos secos durante a estação chuvosa e temperaturas mais elevadas.
A Funceme apontou ainda uma probabilidade de 93% de que o El Niño esteja muito forte no fim de 2026, período de pré-estação chuvosa no Ceará. O órgão, entretanto, ressalta que o comportamento das chuvas não depende exclusivamente do fenômeno e também está relacionado a outros fatores climáticos, especialmente às condições do Atlântico Tropical.
Por isso, as projeções iniciais não permitem afirmar como será a quadra chuvosa de 2027. O prognóstico é divulgado somente em meados de janeiro, no mês que antecede o início da quadra de precipitações no Ceará.
