O último debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), foi marcado pelo confronto em torno dos governos de Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O encontro, realizado nos estúdios da TV Globo, em São Paulo, durou cerca de duas horas e teve confronto direto entre os dois candidatos nos quatro blocos.
Ao longo do debate, temas estaduais como saúde, infraestrutura, segurança e saneamento foram abordados, mas as discussões também envolveram a atuação dos governos federal e estadual. Haddad citou Lula diversas vezes e defendeu medidas adotadas durante a gestão do presidente. Tarcísio, por sua vez, mencionou Bolsonaro e defendeu a atuação de seu governo em São Paulo.
Na discussão sobre economia, Tarcísio defendeu ajuste fiscal e contenção de gastos no governo federal. Segundo ele, a economia estaria enfrentando dificuldades, com empresas quebrando e pessoas endividadas. Haddad criticou a política econômica associada ao governador e fez referência ao presidente argentino Javier Milei.
Os candidatos também divergiram sobre obras de infraestrutura. Tarcísio atribuiu atrasos em projetos como o Rodoanel Norte e a Linha 6-Laranja do Metrô a consequências da Operação Lava Jato. Haddad destacou a renegociação das dívidas dos estados com a União durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda e afirmou que a medida ajudou São Paulo a ampliar investimentos.
A segurança pública esteve entre os momentos mais tensos do debate. Haddad questionou a relação de Tarcísio com aliados de Milton Leite, ex-vereador preso em uma investigação sobre suspeitas de participação do PCC no transporte público da capital. Tarcísio respondeu que sua relação com a família era institucional e citou o vereador Senival Moura (PT), que também foi preso neste ano sob suspeita de envolvimento com a facção.
Haddad ainda mencionou o afastamento do então comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, José Augusto Coutinho, após suspeitas de omissão em um caso envolvendo policiais que teriam sido corrompidos pelo PCC.
Outro tema discutido foi a privatização da Sabesp. Haddad questionou a orientação da empresa para que consumidores não utilizassem a água da torneira em determinadas circunstâncias. Tarcísio respondeu que a recomendação tinha o objetivo de orientar os consumidores sobre possíveis problemas e acusou o adversário de alarmar a população.
Nas considerações finais, Tarcísio destacou a importância da parceria entre os governos estadual e federal e citou Flávio Bolsonaro. Haddad defendeu a continuidade da parceria com o governo Lula e afirmou que uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro poderia dificultar a relação com São Paulo.
