Uma reportagem do NeoFeed publicada na quarta-feira, 30, aponta um paradoxo na economia brasileira.
O país cresce cerca de 2% ao ano, gera emprego e tem desemprego baixo, mas a produtividade, que mede quanto cada trabalhador produz, avança só entre 0,1% e 0,3% ao ano desde a pandemia. Os economistas ouvidos alertam que o bônus demográfico acabou e que, daqui pra frente, a renda só melhora se a produtividade subir. Mesmo assim, o tema não apareceu dessa forma em nenhuma das campanhas.
Os números do IBGE mostram o tamanho do desafio.
A taxa de desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, o menor nível para o período desde 2012. Só que a informalidade ficou em 37,5%, o equivalente a 38,8 milhões de pessoas. O problema não é de um governo específico. A média medíocre de 0,5% ao ano vem desde os anos 1980 e atravessou gestões de todos os campos, inclusive os anos em que Ciro Gomes governou o Ceará e comandou o Ministério da Fazenda.
No debate do O POVO, o tema apareceu de outras formas. Elmano de Freitas (PT) destacou a geração recorde de empregos, e Ciro (PSDB) bateu nos baixos salários e na informalidade.
Elmano entra nessa discussão com dois trunfos. O primeiro é o emprego. O governador lembrou que o estado vive a menor taxa de desemprego da história. O segundo é a escola. Na mesma reportagem do NeoFeed, a economista Solange Srour, do UBS, cita o modelo educacional cearense como exemplo a ser copiado pelo país.
A também economista, Maria Silvia Bastos Marques, põe as experiências do Ceará entre as referências nacionais. O plano de governo de Elmano aposta em neoindustrialização, transição energética, economia digital e economia do conhecimento. O desafio do próximo mandato é transformar a boa escola em emprego mais qualificado.
Ciro aponta o problema, mas oferece um remédio antigo. Ele disse que a reforma tributária acabou com a estrutura de incentivos e propôs um novo fundo de desenvolvimento industrial. É o tipo de política que os economistas apontam como freio da produtividade. O governo federal já deixa de arrecadar cerca de R$ 618,4 bilhões por ano com renúncias e subsídios, segundo a Unafisco Nacional.
A proposta de capacitar a juventude para a economia digital é o ponto mais alinhado com o que os especialistas defendem. No domingo, o eleitor pode escolher quem tem um plano para que o jovem do Sertão Central saia da escola e ganhe mais pelo que aprendeu.






