A eleição de 2026 deixa uma pergunta que não pode ser ignorada: até onde vai a força de um sobrenome na política brasileira?
Enquanto Jair Bolsonaro permanece em prisão domiciliar e impedido de disputar a eleição, o sobrenome Bolsonaro continua ocupando espaço de destaque nas urnas. E não é pouco.
Em 2027, quatro integrantes da família estarão no Congresso Nacional. Michelle Bolsonaro será senadora pelo Distrito Federal, Carlos Bolsonaro será senador por Santa Catarina, Jair Renan Bolsonaro será deputado federal por Santa Catarina e Renato Bolsonaro será deputado federal por São Paulo. Além deles, Flávio Bolsonaro, atual senador pelo Rio de Janeiro, disputa o segundo turno da eleição presidencial contra Lula.
É um fenômeno político que merece ser observado com atenção. O eleitor tem o direito de escolher quem quiser, mas também cabe a todos nós perguntar quanto pesa a identidade política construída em torno de um sobrenome e quanto pesa a trajetória individual de cada candidato.
No Ceará, o resultado também mostra a força do PL. O partido elegeu seis deputados estaduais: Tancredo dos Santos, Bella Carmelo, Abreu Junior, Dra. Silvana, Dra. Mayra Pinheiro e Pastor Frota.
Na Câmara Federal, o PL terá quatro representantes cearenses: André Fernandes, Matheus Noronha, Dr. Jaziel e Carmelo Neto. André Fernandes foi o deputado federal mais votado do Ceará, com 684.372 votos.
O resultado das urnas é soberano. Mas a política precisa ir além da força de nomes, partidos e famílias. Depois da eleição, vem a parte mais importante: o trabalho.
É aí que o eleitor poderá avaliar se o voto dado se transformará em representação, resultados e compromisso com a população.
Porque sobrenome pode abrir portas. Mas é o mandato que precisa justificar o voto.
