O senador reeleito Cid Gomes (PSB) comentou nesta quarta-feira, 7, a iniciativa do irmão, Ciro Gomes (PSDB), de recorrer à Justiça para contestar o resultado da eleição para o Governo do Ceará. Para Cid, embora discorde da decisão, o ex-candidato tem o direito de questionar judicialmente o resultado.
Ao falar sobre o assunto, o senador utilizou, de forma bem-humorada, a expressão latina “jus esperneandi”, que, segundo ele, poderia ser traduzida livremente como “direito de espernear”.
“Todo mundo tem direito de espernear. E a gente deve compreender, respeitar. Eu sinceramente… (se me perguntassem) ‘Você faria isso?’ Eu, não, eu acho que resultado de eleição a gente deve reconhecer. Você nunca viu na minha história eu judicializar nada”, afirmou.
Cid também disse que já enfrentou uma derrota eleitoral e optou por aceitar o resultado das urnas. “O resultado das urnas a gente respeita e pronto, e agradece a quem votou e, se quer continuar, vai trabalhar para conquistar mais gente. E respeitar quem ganhou. Eu já perdi. Eu já perdi eleição, só perdi uma na vida. E perdi e respeitei o resultado”, declarou em entrevista ao PontoPoder.
Ciro contesta resultado da eleição
A manifestação de Cid ocorre um dia depois de Ciro divulgar um “Manifesto ao Povo Cearense”, seu primeiro pronunciamento público após a votação de domingo (4). No documento, o tucano afirma que Elmano de Freitas (PT) não teria vencido a eleição e anuncia a intenção de recorrer à Justiça contra decisões relacionadas à propaganda eleitoral.
Ciro questiona especificamente autorizações para inserções da campanha petista veiculadas nos dois dias que antecederam o primeiro turno.
A disputa eleitoral também aprofundou o distanciamento político entre os irmãos Ferreira Gomes. Cid participou da articulação da campanha que levou Elmano à vitória, enquanto Ciro concorreu ao Governo do Ceará pela oposição.
Cid critica alianças políticas de Ciro
Durante entrevista à TV Verdes Mares, Cid também foi questionado sobre a possibilidade de voltar a dialogar politicamente com o irmão. O senador separou a relação familiar da atuação política e criticou os aliados que passaram a integrar o grupo de Ciro.
“Politicamente, o Ciro se aliou ao (Capitão) Wagner, que é um permanente adversário nosso. Politicamente, o Ciro se aliou ao André Fernandes, que, a meu juízo, é um bolsonarista oco, que não tem nada a apresentar de projeto e que virou um fenômeno, de uma coisa, a meu juízo, pouco crítica”, afirmou.
Cid disse ainda que não considera ter mudado de posição política ao longo dos anos. “Eu tenho o conforto de afirmar para as pessoas que eu estou onde sempre estive. Se alguém mudou de lado, não fui eu. Eu estou ao lado das pessoas que estão comigo desde 1996, quando eu fui candidato a prefeito de Sobral e foi a primeira eleição majoritária minha”, declarou.
Reeleição ao Senado
As declarações foram dadas durante uma visita de Cid ao Sistema Verdes Mares, três dias após a eleição em que conquistou um novo mandato no Senado. O parlamentar recebeu mais de 3 milhões de votos, correspondentes a 31,22% dos votos válidos.
A segunda vaga do Ceará no Senado ficou com Luizianne Lins (Rede), que obteve cerca de 2,8 milhões de votos, ou 29,05%.
