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Deputada federal mais jovem de MG recebeu ameaças de morte, estupro e ataques racistas

As mensagens foram encaminhadas ao e-mail da então candidata em 5 de setembro, aproximadamente um mês antes da votação realizada no último domingo, 4

Foto: Flávio Tavares/O TEMPO

Eleita deputada federal por Minas Gerais aos 21 anos, Ana Elisa Silva (PT) denunciou ter sido alvo de ameaças de morte e estupro, além de ataques racistas, durante a campanha eleitoral. As mensagens foram encaminhadas ao e-mail da então candidata em 5 de setembro, aproximadamente um mês antes da votação realizada no último domingo, 4.

De acordo com a equipe jurídica da petista, o autor das mensagens afirmou fazer parte de um grupo supremacista branco e citou informações pessoais de Ana Elisa, indicando que teria conhecimento de como encontrá-la. Familiares da candidata também foram mencionados nas ameaças.

Em uma das mensagens, o remetente atacou a participação política da então candidata e utilizou termos racistas para se referir a ela.

“Nós não apenas toleramos mulheres pretas que acham que podem representar ‘o povo’ vestindo aqueles ternos ridículos e falando em tom alto sobre justiça social. Nós os desprezamos. E especificamente, nós desprezamos você”, escreveu o autor.

Em seguida, o homem fez ameaças de morte e descreveu situações de violência sexual contra a candidata.

“Estou escrevendo isso porque decidi que você merece o fim mais humilhante da sua carreira política antes de eu pôr um fim na sua miserável vida inteira”, afirmou.

O episódio foi levado à Polícia Civil de Minas Gerais, que investiga a autoria das mensagens. Para a equipe jurídica de Ana Elisa, o conteúdo apresenta possíveis crimes de ameaça, racismo e violência política contra a mulher.

“Isso não é debate político, é crime”, declarou a equipe, que informou ter adotado as providências policiais e judiciais cabíveis.

A campanha optou por não divulgar todo o conteúdo recebido nem revelar o nome do grupo citado pelo autor das mensagens. A decisão, segundo a equipe jurídica, busca preservar a segurança da deputada eleita e não comprometer as investigações.

“A internet não é território de impunidade. Registros técnicos podem permitir a identificação de quem utiliza o anonimato para ameaçar, perseguir ou intimidar”, afirmou a equipe jurídica.

A defesa também destacou que tentativas de afastar uma mulher negra da disputa eleitoral por meio de intimidação precisam ser investigadas e resultar na responsabilização dos envolvidos.

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