A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, na terça-feira, 13, uma nova indicação para o obinutuzumabe, comercializado com o nome Gazyva. O medicamento poderá ser utilizado no tratamento de adultos com lúpus eritematoso sistêmico em atividade moderada a grave.
O remédio já tinha autorização para tratar leucemia linfocítica crônica (LLC) e linfoma folicular. Também é indicado para pacientes com nefrite lúpica, complicação do lúpus que provoca inflamação nos rins.
Segundo a Anvisa, o obinutuzumabe é um anticorpo que atua na eliminação dos linfócitos B, células do sistema imunológico envolvidas no desenvolvimento e na progressão da doença. A agência aponta como benefícios da nova indicação a diminuição da atividade do lúpus, a redução dos episódios de agravamento e a possibilidade de manter o controle da doença com menor exposição a corticosteroides.
A autorização teve como base evidências científicas sobre a eficácia do tratamento. Um estudo publicado na revista New England Journal of Medicine apontou melhora em aproximadamente três quartos dos pacientes após um ano de uso do medicamento.
Disponibilidade pelo SUS ainda depende de análise
Apesar da autorização da Anvisa, a oferta do obinutuzumabe pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para essa indicação não está garantida. Para que o medicamento seja incorporado à rede pública, será necessária uma avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), além de uma possível atualização do protocolo clínico da doença.
O custo elevado é um dos fatores que podem dificultar a ampliação do acesso ao tratamento. No Reino Unido, por exemplo, o uso do medicamento para essa finalidade é restrito a pacientes com nefrite lúpica e está condicionado a um acordo de desconto.
O que é o lúpus?
O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune crônica em que o sistema imunológico produz anticorpos que podem atacar tecidos do próprio organismo, provocando inflamações em diferentes partes do corpo.
Entre as áreas que podem ser afetadas estão as articulações, os rins, a pele, o sistema sanguíneo e o sistema nervoso central. Em situações mais graves, a doença também pode comprometer o coração e outros órgãos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a falta de tratamento adequado pode levar a complicações graves e, em determinados casos, colocar a vida do paciente em risco.
A doença é mais frequente em mulheres, que representam cerca de nove em cada dez pessoas diagnosticadas, e costuma atingir principalmente indivíduos entre 15 e 45 anos. Como suas manifestações podem se confundir com as de outras condições, o diagnóstico pode demorar meses ou até anos.
Quais são os principais sintomas?
Os sinais do lúpus variam conforme a pessoa e os órgãos afetados. Entre as manifestações mais comuns estão:
- Cansaço intenso;
- Dores nas articulações;
- Manchas avermelhadas ou erupções na pele;
- Febre sem causa aparente;
- Queda de cabelo;
- Sensibilidade à luz solar.
Quando há comprometimento dos rins, a doença pode provocar nefrite lúpica. O sistema nervoso e o coração também podem ser afetados, especialmente nos quadros mais graves.
O acompanhamento médico é fundamental para controlar a atividade da doença, reduzir o risco de complicações e definir o tratamento mais adequado para cada paciente.
