Um homem de 53 anos denuncia ter sido vítima de racismo e tentativa de homicídio durante uma abordagem de seguranças do Complexo Crocobeach, na Praia do Futuro, em Fortaleza. O episódio ocorreu na terça-feira, 13, quando Adilson Alves Viana, natural da Bahia, teria sido acusado de roubar uma bolsa. A empresa nega as acusações.
Segundo o relato registrado pela vítima na Polícia Civil, Adilson caminhava em direção à motocicleta que havia deixado nas proximidades após sair do mar quando foi abordado por quatro seguranças. Ele nega ter cometido o suposto roubo e afirma que sofreu agressões, incluindo um golpe conhecido como mata-leão e golpes com um objeto semelhante a uma mangueira com um ferro em seu interior.
Adilson relata que perdeu a consciência durante o episódio. Ao acordar, estava próximo ao mar, com as roupas ensanguentadas e diversos ferimentos. Ele sofreu hematomas pelo corpo, teve um dente quebrado e precisou levar cinco pontos em um corte no rosto.
Depois de recuperar a consciência, o homem conseguiu se levantar e foi ao banheiro da barraca, mas afirma que acabou expulso por um dos seguranças. Familiares foram ao local e o levaram para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Em seguida, devido à gravidade dos ferimentos, ele foi encaminhado ao Instituto Doutor José Frota (IJF), onde passou por exames.
Vítima mora em Fortaleza há dois anos
Adilson se mudou da Bahia para Fortaleza há dois anos, acompanhado da esposa, Maria Daniele Alves dos Santos Viana, de 47 anos. O casal trabalha com a venda de refeições e água. Segundo a mulher, o marido já frequentava a barraca durante viagens anteriores à capital cearense, mesmo quando ainda morava no outro estado.
Maria Daniele acredita que a cor da pele do marido e o fato de ele estar sozinho podem ter motivado a abordagem. Ela pede que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados.
“Meu esposo é um homem íntegro, pai de família , trabalhador. Nunca teve qualquer problema com justiça, porque sempre foi muito reservado, calado e calmo.[…] Pedimos que a Justiça seja feita, que encontrem as pessoas que fizeram isso com ele”, falou a esposa da vítima.
“Já fomos nessa barraca várias vezes. Por ele ser negro, por ele estar sozinho, pegaram ele e fizeram isso. Acharam que ele não era ninguém, que não tinha família e se viram no direito de fazer isso com ele”, disse Maria Daniele.
O que diz a Crocobeach
Em nota, a empresa afirmou que tomou conhecimento da denúncia de agressão racial, mas negou as acusações divulgadas. A Crocobeach declarou que as circunstâncias do episódio estão sendo apuradas pelas autoridades e que, em verificação interna, não identificou ocorrência semelhante nas dependências do estabelecimento.
A empresa também afirmou repudiar qualquer forma de violência, discriminação racial ou conduta que atente contra a dignidade e a integridade das pessoas.
