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Fortaleza tem 1.300 idosos em situação de rua beneficiários do BPC, aponta Observatório

Foto: Fabiane de Paula/SVM

Pelo menos 1.333 pessoas idosas que vivem em Fortaleza estavam em situação de rua e recebiam o Benefício de Prestação Continuada (BPC) em 2025. O número consta no Observatório da Pessoa Idosa, plataforma lançada neste mês pela Prefeitura de Fortaleza para reunir informações sobre a realidade da população com mais de 60 anos na Capital. A informação é da jornalista Ana Beatriz Caldas, do Diário do Nordeste.

O levantamento reúne sete eixos e 49 indicadores relacionados à população idosa. A proposta é identificar desigualdades e vulnerabilidades e, a partir dos dados, contribuir para o desenvolvimento e o aperfeiçoamento de políticas públicas voltadas a esse grupo.

O número de idosos em situação de rua beneficiários do BPC vem crescendo nos últimos anos. Em 2023, eram 740 pessoas nessa condição. O total passou para 1.045 em 2024 e chegou a 1.333 no ano passado, o que representa um aumento de cerca de 80% em dois anos.

O BPC assegura o pagamento mensal de um salário mínimo a pessoas com 65 anos ou mais e a pessoas com deficiência de qualquer idade que atendam aos critérios de baixa renda. O benefício é assistencial e, por isso, não exige contribuição anterior ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), como ocorre com a aposentadoria.

Os 1.333 idosos em situação de rua representam apenas uma parcela da população idosa de baixa renda da Capital. Conforme os dados do Observatório, 177.747 pessoas com mais de 60 anos residentes em Fortaleza estão inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) para Programas Sociais do Governo Federal. O grupo corresponde a 14,3% do total de inscritos no cadastro no município.

O recorte também evidencia desigualdades raciais e de gênero entre os idosos cadastrados. Do total, 87% se declaram pretos ou pardos. As mulheres representam 63,9%.

Conflitos familiares estão entre os principais fatores

Para Iracema Machado, coordenadora de Assistência Social da Secretaria Municipal dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social de Fortaleza (SDHDS), o crescimento da população idosa em situação de rua está relacionado a diferentes fatores.

Entre eles, ela cita o envelhecimento da população e o empobrecimento provocado ou agravado no período posterior à pandemia de Covid-19. Segundo a coordenadora, parte das pessoas perdeu a moradia e as referências familiares nesse período.

“Tanto as pessoas estão envelhecendo mais, como a gente, depois da pandemia, teve um empobrecimento populacional. Então, muitas pessoas perderam suas moradias, perderam suas referências, e acabaram ficando em situação de rua”, explica.

Iracema afirma ainda que os conflitos familiares aparecem como uma das principais causas para a situação de rua. Segundo ela, esses rompimentos podem estar relacionados ao uso abusivo e contínuo de substâncias psicoativas, a transtornos mentais e às fragilidades nos vínculos familiares.

“Esses conflitos acabam decorrendo muito do uso de substâncias psicoativas de forma abusiva, de forma permanente; de várias situações de transtorno mental; da questão mesmo das fragilidades dos vínculos familiares – por exemplo, quando era criança, o pai não cuida do filho, então o filho também não acha que tem responsabilidade posteriormente com o pai”, afirma.

Prefeitura prevê ampliação da rede de atendimento

A Prefeitura de Fortaleza afirma estar ampliando a estrutura destinada ao atendimento da população idosa, incluindo aqueles que vivem em situação de rua.

Entre as medidas citadas por Iracema está a expansão dos Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua (Centros Pop). Uma nova unidade está prevista para ser inaugurada no Papicu ainda em 2026.

Também está prevista a ampliação das vagas em pousadas sociais, que devem passar de 240 para 300 nos próximos meses.

“Nós vamos ampliar a rede da proteção de média complexidade, que é a proteção que trabalha os Centros Pop, que trabalha um atendimento que não é um atendimento tão integral como é o acolhimento – o acolhimento proporciona alimentação, todos os outros cuidados, enquanto que o Centro Pop é um atendimento mais diário, mais cotidiano”, detalha.

Nos Centros Pop, um dos serviços oferecidos é voltado à higiene da população atendida.

A coordenadora também cita a requalificação dos espaços de acolhimento e o aumento das vagas de aluguel social. Atualmente, são 170 vagas nessa modalidade. Apesar das medidas, ela reconhece que a estrutura disponível ainda é insuficiente diante da demanda.

Segundo Iracema, Fortaleza tem atualmente cerca de 11 mil pessoas em situação de rua. O número coloca a Capital cearense na quarta posição entre as cidades brasileiras com maior quantidade de pessoas nessa condição.

Para a coordenadora, os dados reunidos pelo Observatório devem auxiliar a gestão municipal na definição das ações destinadas à população idosa e aos grupos em situação de maior vulnerabilidade.

“São pessoas que precisam de oportunidades de reorganizar suas vidas”, pontua.

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