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José Dirceu defende renovação no PT e afirma que reeleição de Lula não representa vitória do partido

Na avaliação do petista, o resultado eleitoral representa uma oportunidade para o presidente construir um entendimento mais amplo em torno de pautas nacionais

Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

O ex-ministro José Dirceu (PT), que não conseguiu se eleger deputado federal por São Paulo, defendeu mudanças na estrutura do Partido dos Trabalhadores e uma ampliação do diálogo político no próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao jornal O Globo, Dirceu avaliou que a vitória de Lula nas urnas não deve ser interpretada como uma conquista exclusiva da legenda e cobrou maior participação de diferentes forças políticas e segmentos da sociedade na composição do governo.

Na avaliação do petista, o resultado eleitoral representa uma oportunidade para o presidente construir um entendimento mais amplo em torno de pautas nacionais. Ele defendeu que o próximo governo reúna partidos, representantes do setor produtivo, movimentos sociais e grupos que não apoiaram Lula nas eleições, mas que demonstraram compromisso com a democracia.

Dirceu também apontou a necessidade de avançar em reformas tributária, financeira, política e do Judiciário. Para ele, o presidente deve conduzir as discussões por meio de acordos entre diferentes setores, considerando as expectativas manifestadas pela população durante o processo eleitoral.

Ao abordar os rumos do PT, o ex-ministro afirmou que a legenda precisa passar por um processo de reconstrução, com maior aproximação de outras siglas progressistas, como PSOL, Rede, PDT e PSB. Também defendeu uma atuação mais próxima da juventude e de grupos sociais que demonstram resistência à esquerda.

Entre os pontos destacados, Dirceu mencionou a necessidade de superar a percepção de que o partido mantém uma postura contrária aos evangélicos. Segundo ele, não se deve associar automaticamente os integrantes desse segmento religioso ao bolsonarismo.

O ex-ministro também defendeu que o PT estabeleça canais de diálogo com eleitores que escolheram Flávio Bolsonaro (PL). Para Dirceu, essas pessoas não devem ser tratadas como adversárias sem possibilidade de aproximação por terem optado por um candidato de direita.

Sucessão de Lula e renovação partidária

Questionado sobre quem poderá ocupar o espaço político de Lula no futuro, Dirceu avaliou que novas lideranças deverão surgir a partir da atuação no governo, na organização partidária e na defesa da democracia. Como exemplo, citou Fernando Haddad, que ganhou projeção nacional após comandar os ministérios da Educação e da Fazenda.

O petista também observou que a direita já apresenta nomes para disputar os próximos ciclos eleitorais, enquanto a esquerda precisa trabalhar na formação de novas referências políticas.

Sobre a organização interna do PT, Dirceu destacou que a próxima renovação da direção nacional está prevista para 2029, mas que o partido deverá realizar discussões sobre mudanças no estatuto e na composição de seus espaços de decisão. Ele defendeu maior participação de mulheres e jovens, além de investimentos na formação política e na comunicação pelas redes sociais.

“A renovação no PT é urgente”, afirmou.

Economia e ajuste fiscal

Na área econômica, Dirceu reconheceu que a dívida pública representa um desafio para o país, mas defendeu que qualquer discussão sobre ajuste fiscal considere também a redução dos juros e a revisão das renúncias fiscais.

O ex-ministro sugeriu que o governo reúna representantes políticos, empresariais e sindicais para discutir alternativas e contrapartidas. Na avaliação dele, medidas de contenção de despesas não podem atingir direitos sociais que tiveram peso na mobilização eleitoral em favor de Lula, como a política de valorização do salário mínimo, as aposentadorias, a saúde e a educação.

Derrota eleitoral em São Paulo

Ao comentar o resultado da disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados, Dirceu atribuiu parte de sua dificuldade eleitoral à ausência de campanha durante o período em que esteve em tratamento contra um linfoma.

Ele informou que permaneceu afastado das atividades de campanha entre 10 de maio e 22 de setembro. O ex-ministro também reconheceu mudanças no comportamento do eleitorado paulista, especialmente entre mulheres jovens e eleitores ligados ao PSOL.

Dirceu afirmou que já considera encerrada sua trajetória como candidato e declarou que não pretende voltar a disputar eleições.

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