Após meses de negociações, a federação entre União Brasil e PP não vai mais ocorrer por divergências entre a cúpula dos dois partidos. O mais provável, neste momento, é a formação de um bloco parlamentar para atuação na Câmara dos Deputados. No Senado, a tendência é que os dois partidos sigam separados. A informação é do Valor Econômico.
O líder do PP na Câmara, André Fufuca (MA), disse que o partido estava fechado a favor da federação, mas que houve divergências com o aliado. “Na verdade, é importante que sejam aparadas as arestas do União antes de qualquer debate nesse sentido”, disse.
O União Brasil estava avançando nas conversas, mas o presidente do partido, deputado Luciano Bivar (PE), se sentiu preterido nas conversas porque não teria o comando da nova agremiação política. Bivar bateu o pé e afirmou que não aceitava, e que os votos de seu grupo político na direção do partido seriam contrários à aliança entre as duas siglas.
As tratativas do PP eram para que o vice-presidente, Antônio Rueda, traísse Bivar e fizesse com que seus quatro votos na direção executiva do partido fossem a favor da federação. A promessa dos pepistas era de que Rueda revezaria o comando da federação com Nogueira. Rueda entrou na política pelas mãos de Bivar e não aceitou a proposta.
Apesar de algumas poucas divergências internas, o PP estava praticamente todo fechado a favor da federação, por pressão de Nogueira e do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL). O líder do União na Câmara, deputado Elmar Nascimento (BA), era o principal entusiasta no partido – aliados dizem que a intenção era se cacifar para a sucessão de Lira na presidência.
Há pouco, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), afirmou no Twitter que “no que diz respeito ao Progressistas, encerramos as discussões para formação de federação junto com o partido União Brasil”. A fala, porém, ficou dúbia e confundiu parlamentares.
No Palácio do Planalto, há dias a expectativa era a de que a federação entre as duas legendas não saísse. Interlocutores das legendas estiveram com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e relataram dificuldades para conciliar interesses dois partidos nos Estados.
A avaliação no Planalto é a de que a demora para formar a federação, além disso, contribuiu para o fracasso nas negociações.
Os partidos agora discutem a formação de um bloco parlamentar na Câmara para se manter como maior grupo da Casa. Com isso, terão mais de 100 parlamentares, acima de PL e PT.
No Senado, a composição não deve se repetir. O senador Davi Alcolumbre (AP) foi um dos que trabalhou contra a federação por entender que Ciro Nogueira atrapalharia seus planos de voltar à presidência do Legislativo em 2025.
Repórter Ceará




