O retorno de Aécio Neves à presidência nacional do PSDB, oficializado nessa quinta-feira, 27, marca uma tentativa de reconstrução do partido após anos de esvaziamento. A movimentação, porém, tem repercussões que vão além de Brasília: ela reabre caminhos para o PSDB no Ceará, agora com Ciro Gomes como uma das principais apostas para fortalecer a sigla no país.
Aécio reassume o comando em meio ao desafio urgente de evitar que os tucanos fiquem fora do acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda, um risco imposto pela cláusula de barreira. Para superar a meta mínima exigida em 2026, o PSDB precisa eleger ao menos 13 deputados federais ou alcançar 2,5% dos votos válidos distribuídos em nove estados. Hoje, a legenda tem exatamente os 13 deputados necessários, mas espalhados por apenas oito unidades da federação.
Tarcísio e tucanos em 2026?
Durante a cerimônia de posse, Aécio admitiu que o PSDB pode apoiar o governador paulista Tarcísio de Freitas numa eventual disputa ao Palácio do Planalto, desde que o governador de São Paulo não fosse apenas o candidato de Bolsonaro.
O gesto foi interpretado como um movimento para recolocar os tucanos no campo do centro liberal capaz de dialogar com diferentes espectros políticos, mas longe do bolsonarismo.
Nesse sentido, as sinalizações de Aécio funcionam como combustível político para o recém-filiado Ciro Gomes, que é considerado uma das peças-chave do PSDB na tentativa de reconstrução do partido.
O intuito do PSDB é se voltar a se expandir. Para isso, quer adotar uma postura moderada e usar o nome e a figura de Ciro para isso.
O esvaziamento
O partido chega a 2024 esvaziado: deixaram a sigla nomes como Eduardo Leite, Raquel Lyra, João Doria, Aloysio Nunes e Geraldo Alckmin. Para a legenda, apostar na entrada de figuras com projeção nacional, como Ciro Gomes, é essencial para recuperar musculatura:
- aumentar bancadas na Câmara e no Senado,
- voltar a disputar governos estaduais,
- atrair novas lideranças regionais,
- reposicionar o PSDB como força decisiva no Congresso.
Apesar disso, Aécio descartou qualquer expectativa de candidatura presidencial de Ciro pelo partido em 2026. Segundo ele, uma disputa ao Planalto pelo PSDB só deve voltar ao radar em 2030.




