É com esse olhar que tenho visitado pontos gastronômicos do Ceará, valorizando empreendedores e empreendedoras que mantêm vivas as tradições do nosso Nordeste. Não é apenas sobre comida. É sobre memória, identidade e trabalho.
Essa iniciativa nasce do meu amor pela culinária regional e da convicção de que fomentar, apoiar e dar visibilidade a esses espaços fortalece, ao mesmo tempo, a cultura e a economia local. Quando a gente valoriza quem cozinha, valoriza também o território, a história e as pessoas.
Meu afeto por esses pratos vem desde a infância, nas feiras do Antônio Bezerra. Mais recentemente, esse movimento ganhou novo impulso com a visita ao Chico 60, o rei da tripa de porco no Conjunto Esperança. Na primeira ida, o local vendia cerca de 30 quilos de tripa. Depois da repercussão nas redes sociais, esse número ultrapassou os 100 quilos. Os conteúdos já somam mais de 1 milhão de visualizações no Instagram e no TikTok. Não é pouca coisa: é renda, é visibilidade, é reconhecimento.
As visitas seguiram por outros pontos que são verdadeiros patrimônios vivos: o Ponto da Moqueca, no Vicente Pinzón; o Espetinho do Maciel, na Gonçalves Dias; o carneiro da Nordelícia; a Lora da Galinha Caipira, em Quixeramobim; e a Varanda Sabores da Terra, em Acopiara. Cada parada é um encontro com saberes que passam de geração em geração.
Além das visitas, sou autor de um projeto que propõe reconhecer a panelada como patrimônio gastronômico e cultural do Ceará. É um gesto político, no melhor sentido da palavra: afirmar que nossa culinária não é detalhe, é identidade. A proposta vai além da divulgação. Trata-se de reconhecer a gastronomia regional como patrimônio cultural e econômico, capaz de gerar renda, fortalecer comunidades e transformar realidades.
Afinal, quando a gente cuida daquilo que é nosso, o Ceará cresce com mais sabor, mais dignidade e mais futuro.
Acrísio Sena
Presidente do Centec e historiador




