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PF investiga emendas no Ceará por suspeita de obras falsas e desvio de recursos públicos

Operação realizada pela PF apura envio de verbas a municípios administrados por familiares de deputado e uso de fotos falsas para comprovar serviços que não teriam sido executados

Foto: Divulgação/CGU

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) continuam investigando um suposto esquema de fraudes em obras públicas no Ceará, envolvendo recursos federais oriundos de emendas parlamentares. As apurações fazem parte da Operação Fake Road, desdobramento das investigações que integram o conjunto de ações da Operação Overclean, reveladas em reportagem do Fantástico, da TV Globo, nesse domingo, 18.

De acordo com a Polícia Federal, há indícios de irregularidades em contratos firmados pelo Departamento Nacional de Obras contra as Secas (DNOCS) para execução de pavimentações em municípios cearenses. As obras teriam sido custeadas com recursos de emendas atribuídas ao deputado federal Robério Monteiro (PDT-CE).

As investigações apontam que parte do dinheiro foi destinada às cidades de Itarema e Acaraú, ambas administradas por familiares diretos do parlamentar. Em Itarema, o prefeito é filho de Robério Monteiro. Já em Acaraú, a prefeita é sua esposa. Segundo a PF, as obras apresentam indícios de serviços não executados ou executados de forma irregular.

Ao autorizar a deflagração da Operação Fake Road, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), destacou que foram identificadas fotos falsas utilizadas para simular a execução das obras, classificando a prática como uma “grave irregularidade que compromete a transparência e a confiabilidade do processo de fiscalização”.

A decisão do ministro também cita dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentações financeiras suspeitas envolvendo o proprietário da construtora Construmaster, responsável pelos contratos, e um irmão do deputado Robério Monteiro. Parte dos valores teria sido posteriormente repassada ao próprio parlamentar, segundo a PF.

A Construmaster, que atualmente opera com o nome de Vieira Infraestrutura, é investigada por suspeitas de superfaturamento, desvios de recursos e má execução de obras públicas. Conforme dados do Portal da Transparência, a empresa recebeu R$ 114 milhões em verbas federais entre 2022 e 2025, sendo mais de R$ 36 milhões provenientes de emendas parlamentares, majoritariamente do chamado orçamento secreto.

Apesar das suspeitas, o deputado Robério Monteiro não foi alvo direto da operação. Em nota, ele afirmou que as obras são de responsabilidade exclusiva do DNOCS e negou ter destinado emendas individuais para esses projetos. Segundo o parlamentar, os recursos teriam origem em uma emenda de comissão do Senado, aprovada de forma coletiva e dentro da legalidade.

Sobre as transferências financeiras citadas pela investigação, Robério declarou que se tratam de relações comerciais privadas envolvendo seu irmão, sem ligação com o mandato parlamentar.

A Polícia Federal estima que o prejuízo causado pelas fraudes investigadas no Ceará e em outros estados, como Rio Grande do Norte, possa chegar a R$ 18 milhões.

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